Por Erica Santini — Ciao, viajante: a ilha de Capri anunciou novas medidas para o turismo que passam a valer já neste verão, numa tentativa de devolver à ilha o seu ritmo respirável e a elegância discreta que a fez célebre. Como alguém que ama saborear a história entre becos e miradouros, sinto que estas mudanças falam de respeito pelo espaço e pelo dolce far niente.
O cenário que motivou a intervenção é claro: em época alta, Capri chega a receber até 50.000 visitantes por dia, um número muito superior aos cerca de 13.000 a 15.000 residentes. As ruelas estreitas e os pontos panorâmicos têm sido frequentemente congestionados por grupos de um dia, barulhentos e difíceis de gerir — como uma canção fora de tom num concerto íntimo.
As novas regras visam organizar o fluxo e reduzir o impacto dos passeios colectivos. Entre as principais normas anunciadas pelo município estão:
- Desembarque permitido apenas para grupos organizados com máximo de 40 pessoas;
- Para grupos acima de 20 pessoas, é proibido o uso de altifalantes; os participantes devem receber auscultadores ou auriculares para ouvir o guia;
- Os guias e responsáveis só podem identificar-se com um letreiro discreto ou a paleta regulamentar; fica vetado o uso de elementos vistosos como guarda-chuvas ou bandeiras;
- Os grupos devem manter-se coesos, não bloquear passagens e garantir a segurança e conforto dos outros visitantes.
São regras práticas, quase coreográficas: ordenar o movimento para que a ilha volte a respirar. Moradores e operadores turísticos receberam as medidas com alívio. Lorenzo Coppola, presidente da associação hoteleira de Capri, saudou a iniciativa como “um ato de responsabilidade, que reflete a nossa visão de uma ilha finalmente mais habitável”.
Gianluigi Lembo, proprietário da famosa taberna Anema e Core — palco de festas onde já passaram celebridades como Jennifer Lopez e Leonardo DiCaprio — reforçou que as normas protegem a experiência de todos. “Turistas? Todos, mas não todos ao mesmo tempo”, disse ao Corriere del Mezzogiorno, sublinhando que o objetivo não é criar visitantes de primeira e de segunda, mas sim respeitar os limites físicos da ilha.
Recorde-se que essa preocupação com etiqueta e ambiente não é nova: já nos anos 1950 Capri impunha regras sobre vestuário e som — era proibido usar tamancos de madeira e rádios em alto volume. Hoje, a ameaça mais visível vem dos grupos turísticos mal organizados, que entopem ruelas e mirantes.
O presidente da câmara, Paolo Falco, acrescentou que o município trabalha também em medidas para controlar o tráfego de embarcações no porto de Marina Grande, ponto de chegada onde os visitantes se concentram antes de subir pelo funicular ou seguir de autocarro pelos percursos pedonais.
Como curadora de experiências, acredito que estas medidas devolvem à ilha parte do seu silêncio cultivado — a luz dourada, o perfume dos vinhedos e a textura do tempo nas paredes pedem espaço para serem sentidos. Andiamo: que Capri continue a ser um convite ao encanto lento, onde cada visitante encontra sua parte do segredo.






















