Por Erica Santini — ROMA, 11 de fevereiro de 2026. Há encontros que mudam o curso da arte: o diálogo entre Gian Lorenzo Bernini e Maffeo Barberini, eleito papa em 1623 com o nome de Urbano VIII, é um desses. A exposição Bernini e i Barberini, que abre em 12 de fevereiro no Palazzo Barberini e fica em cartaz até 14 de junho, convida-nos a descobrir como um jovem talento foi descoberto, moldado e projetado para se tornar o regista do barroco.
Curada por Andrea Bacchi e Maurizia Cicconi, a mostra propõe, pela primeira vez, uma reconstrução visual e crítica do vínculo pessoal e político entre o artista e o seu patrono. É uma narrativa de proteção, ambição e sintonia intelectual: Maffeo Barberini não foi apenas um comissário, foi um verdadeiro mecenas urbano que permitiu a emancipação de Bernini da oficina paterna — onde o escultor Pietro Bernini havia iniciado o filho — e impulsionou-o rumo a uma linguagem artística nova, teatral e profundamente sensorial.
Ao percorrer as salas do Palazzo Barberini, sente-se o perfume das pedras trabalhadas, a luz que dramatiza volumes e a textura do tempo nas superfícies esculpidas. Como diria uma amiga italiana numa tarde em Trastevere: é o Dolce Far Niente transformado em forma, um convite a saborear a história com todos os sentidos. A exposição não apenas reconta com documentos e obras esse laço, mas revela como a figura papal de Urbano VIII fomentou uma política cultural que fez de Roma um palco barroco.
Uma anedota histórica que atravessa o contexto é a relação entre o pontificado de Urbano VIII e figuras intelectuais da época: quando Maffeo ascendeu ao trono papal, até Galileo Galilei saudou a novidade como uma “mirabil congiuntura” — sinal dos amplos interesses e da corte culta que o novo papa representava. Mesmo nas contradições típicas do século XVII, foi sob essa égide que Bernini encontrou a possibilidade de experimentar, inovar e dirigir grandes cenários esculturais e arquitetônicos.
Para quem chega a Roma, visitar a retrospectiva é uma imersão — um passeio íntimo entre mármore e veludo, entre a política do mecenato e o impulso criador de um artista que redefiniu a cidade. Andiamo: esta é uma chance de testemunhar como o encontro entre um criador e um patrono produziu a ideia do Barroco tal como o conhecemos.
A exposição Bernini e i Barberini estará aberta ao público de 12 de fevereiro a 14 de junho de 2026 no Palazzo Barberini. Curadoria de Andrea Bacchi e Maurizia Cicconi.






















