Ciao, querido viajante — sou Erica Santini, sua amiga ítalo-brasileira que adora descobrir o alma do Bel Paese entre jardins, vinhedos e pequenas estradas de pó. Às vésperas do Ferragosto, desenha-se um verão cheio de movimento nos agroturismos italianos: breve, intenso e muitas vezes em família.
O relatório de Agriturist (Confagricoltura) revela uma realidade de nuances para a temporada 2025. O setor mostra resiliência num cenário geral complexo, mas vive mudanças evidentes nos hábitos dos hóspedes. A tendência dominante é a de estadas mais curtas: reservas de duas ou três noites, com forte crescimento do fenômeno do “mordi e fuggi”. Como observa Augusto Congionti, presidente de Agriturist, “as reservas estão cada vez mais em cima da hora, dificultando o planeamento e a gestão da oferta pelas empresas”. É uma dinâmica que abraça todo o turismo, dos agroturismi aos hotéis.
Mesmo em estadias compactas, o desejo é de profundidade sensorial: os hóspedes procuram experiências que reflitam a identidade do turismo rural. No pódio das preferências estão o contacto com a natureza e as atividades ao ar livre — 53% desejam excursões, e 26% buscam atividades desportivas como bike, trekking e equitação — seguidas por degustações e gastronomia típica que convidam ao Dolce Far Niente entre uma garfada e outra.
A clientela predominante continua sendo as famílias (68%), mas um dado chama atenção: os turistas estrangeiros representam cerca de um quarto das presenças e estão em crescimento. Eles vêm em busca das belezas naturais e do património cultural regional — aqueles cantinhos onde a luz dourada faz as paredes contarem histórias. Para o público italiano, por outro lado, a diminuição do poder aquisitivo tem limitado alguns fluxos.
Geograficamente, as regiões mais procuradas este ano incluem Sicília, Campânia, Lazio, Abruzzo, Marche, Emília-Romanha, Toscana, Véneto e Piemonte, com a Puglia a sobressair por performances especialmente positivas. Desde 2019, as presenças turísticas na Itália cresceram 8,3%, colocando o país em segundo lugar na Europa, atrás apenas da Espanha (+11,2%).
Mas nem tudo é céu azul: persistem desafios estruturais. A escassez de pessoal qualificado e o aumento generalizado dos custos (energia, matérias-primas e serviços) pressionam as micro e pequenas empresas rurais. São obstáculos que pedem criatividade e hospitalidade sofisticada: acolher com alma, adaptar ofertas e transformar cada curta estadia numa experiência memorável.
Se você planeja uma escapada agora, pense em reservar com atenção aos detalhes — um passeio ao amanhecer, o perfume dos vinhedos, uma mesa com produtos locais. Andiamo: mesmo em poucas noites, é possível saborar a história e levar consigo memórias que ficam.
— Erica Santini, Espresso Italia






















