Ciao, viajante — aqui é a Erica Santini, trazendo um relato com o calor de um aperitivo e o olhar atento de quem ama o Bel Paese e a boa hospitalidade. O Aeroporto de Lisboa foi reforçado nesta terça-feira com 24 militares da GNR, numa medida aprovada pelo Governo para atenuar as longas filas de espera na zona das chegadas.
Segundo apurou a agência Lusa, ainda não há uma previsão pública sobre a duração da permanência desses militares no Aeroporto Humberto Delgado. O que se sabe é que esta intervenção junta-se ao reforço anterior: durante o período de Natal e Ano Novo, o aeroporto contou com 80 agentes da PSP para enfrentar as esperas prolongadas de passageiros que entravam no país.
O porta‑voz da GNR, Carlos Catanário, relatou à Lusa que os militares vão atuar em turnos flexíveis, organizados em equipas de 10 elementos mais um supervisor, com foco no controlo da documentação na área das chegadas. Estes profissionais possuem formação certificada no controlo de fronteiras e receberam ainda dois dias de formação administrativa ministrada pela PSP, pela Autoridade Nacional de Aviação Civil (ANAC) e pela ANA.
Em paralelo ao reforço humano, o Governo tomou outra decisão relevante: a suspensão, por três meses, do sistema europeu de controlo de fronteiras para cidadãos extracomunitários — o chamado EES (Sistema de Entrada/Saída) — com o objetivo de reduzir os tempos de espera no aeroporto.
Esta intervenção surge depois de uma avaliação não anunciada da Comissão Europeia ao Aeroporto de Lisboa, realizada entre 15 e 17 de dezembro, que apontou para «deficiências graves» nos controlos de segurança das fronteiras. Os alertas de Bruxelas precipitaram medidas urgentes por parte do Executivo português, incluindo a suspensão temporária do EES.
Documentos citados pelo jornal Diário de Notícias, enviados pelo gabinete da secretária‑geral do Sistema de Segurança Interna (SSI) a ministérios e forças envolvidas, descrevem lacunas significativas: baixa qualidade nos controlos de primeira e segunda linha, filas que se arrastaram por horas — relatos apontam para esperas que chegaram até sete horas — e uma prática frequente de simplificação dos controlos sem notificação à União Europeia, resultando em falhas no controlo de saída no posto do aeroporto.
Os sindicatos de polícia já vinham alertando para o descontrolo. No Parlamento, a ministra da Administração Interna admitiu que a implementação do novo sistema europeu «correu muito mal», reconhecendo falhas de planeamento, carência de meios humanos e limitações de espaço no Aeroporto Humberto Delgado. Afinal, o cenário repetiu‑se em outros pontos da União Europeia desde o arranque gradual do EES em outubro, causando atrasos significativos para passageiros.
Ao pousar os pés na pista da realidade, sentimos mais do que números: sentimos o tempo esticado nas filas, o suspiro dos viajantes cansados e a urgência de medidas que devolvam fluidez e segurança. Andiamo — que estas ações tragam alívio real aos que chegam e partem, com a delicadeza de quem sabe receber.





















