Por Erica Santini, Espresso Italia. Ciao, viajante — venha saborear esta história comigo.
Os tempos em que as férias eram escolhidas entre brochuras e pacotes rígidos ficaram para trás. Hoje, ao planejar uma escapada, nós navegamos por ofertas em aplicações, comparamos preços, consultamos cartões de crédito e manipulamos pontos e milhas como se fossem ingredientes secretos de um aperitivo perfeito. Um estudo recente da Phocuswright revela que 84% dos viajantes de lazer usaram, no último ano, pelo menos uma forma de “jogo” com programas de fidelização para maximizar suas recompensas.
Esses números mostram que a relação com a fidelidade evoluiu: em vez de permanecerem fiéis a uma única marca, os viajantes pesam os benefícios dos programas ao lado do preço, da conveniência e da disponibilidade na hora de reservar. É como escolher entre um vinho clássico e uma descoberta local — às vezes a ocasião pede apenas o melhor custo-benefício.
Segundo a pesquisa, entre 57% e 68% dos viajantes que declararam ter uma companhia aérea, um hotel ou uma agência online preferida, acabaram por reservar com outro operador no último ano — normalmente atraídos por horários melhores ou preços mais vantajosos. “Quando falamos de fidelização em viagens, a conversa reduz-se muitas vezes a pontos e milhas, mas isso ignora o quadro mais amplo”, diz Madeline List, responsável de investigação na Phocuswright. Envolver-se com um programa não equivale, necessariamente, a lealdade automática.
Os dados contam pequenas histórias de compromisso: 1 em cada 5 utilizadores de programas de fidelização de companhias aéreas admitiu ter feito uma viagem que, de outro modo, não teria realizado apenas para manter o estatuto. No universo hoteleiro, 1 em cada 4 membros ficou em um alojamento que normalmente não escolheria para não perder benefícios. São gestos que refletem o poder — e, por vezes, a tirania — dos níveis e dos bónus.
Além das companhias e dos hotéis, os cartões de crédito estão a transformar o mapa das recompensas. A Phocuswright revelou que 39% dos viajantes compraram cartões-presente para acumular pontos para uso futuro; 27% abriram cartões com a intenção de reduzir gastos ou encerrar a conta após obter o bónus de boas-vindas; e 16% fizeram compras em nome de terceiros apenas para gerar recompensas. É uma coreografia financeira onde cada movimento rende um selo a mais no cartão.
Outro levantamento, da Skift Research, indica que muitos viajantes norte-americanos já consideram as recompensas dos cartões de crédito mais valiosas do que os programas tradicionais de companhias aéreas ou hotéis. Na Europa existem programas semelhantes associados a cartões, mas tendem a ser menos generosos do que os dos Estados Unidos — um detalhe importante para quem planeja a próxima viagem transatlântica.
O panorama é claro: as programas de fidelização deixaram de ser apenas uma coleção de pontos para virar uma ferramenta estratégica no planejamento das viagens. A decisão final da reserva hoje é um diálogo entre preço, disponibilidade, conveniência e o saldo de pontos guardado como se fosse um pequeno tesouro — um convite ao Dolce Far Niente com economia inteligente.
Como guardiã de segredos e sabores do Bel Paese, eu diria: acumule com atenção, gaste com alma. Às vezes vale manter um bónus para uma escapada inesquecível; noutras, a luz dourada de uma cidade nova pede que sigamos o melhor preço e a melhor hora. Andiamo — a viagem é sempre uma mistura de razão e desejo.
Fonte: Phocuswright; Skift Research.






















