Ciao, viajante dos sentidos — aqui é Erica Santini, trazendo o aroma quente da Marrakech e o pulso vibrante da cena artística africana. Entre inaugurações que se encadeiam, ateliers abertos e galerias que tingem a cidade com novas cores, abriu-se a sétima edição da feira 1-54, dedicada às estrelas do continente e da diáspora.
Até 8 de fevereiro, a cidade será um palco contínuo: colecionadores em busca de descobertas e peças raras, artistas a estrear no mercado e galeristas orgulhosos das pequenas pepitas que trouxeram. A edição de 2026 chega com uma mudança de foco sensível — um retorno às raízes, com atenção especial à cena artística marroquina.
A idealizadora da iniciativa, Touria El Glaoui, que concebeu a 1-54 em 2013, descreve este momento no pátio de entrada do icônico hotel La Mamounia, local que abriga o coração do evento desde sempre: “Os refletores estão mais voltados para o território”, explica. A feira reúne 22 expositores de 12 países, com destaque para sete galerias sediadas no Marrocos, entre elas a Loft Art Gallery e a MCC Gallery, além de outras vozes locais que pontuam a programação.
O formato itinerante da 1-54 — que se desdobra entre New York, Londres e Marrakech — celebra tanto o cosmopolitismo quanto a pele cultural do lugar. Em Marrakech, a luz dourada joga nas texturas das paredes antigas, enquanto o perfume das especiarias do souk mistura-se ao cheiro novo das telas e das obras que falam de histórias atravessadas por migrações, memórias e futuro.
Para quem caminha pela cidade durante a feira, é como seguir um roteiro sensorial: ouvir vozes que narram tradições reformuladas, ver superfícies que guardam a textura do tempo e provar o Dolce Far Niente entre visitas a ateliês — momentos íntimos onde se percebe a autenticidade do trabalho de artistas emergentes e consagrados.
Os eventos paralelos prometem movimentar não só os corredores da La Mamounia, mas também os bairros, ateliês e espaços alternativos que se abrem para o público. É um convite a navegar pelas tradições e pelas experimentações, vendo como o Marrocos e a diáspora redefinem olhares sobre o contemporâneo.
Se estiver em Marrakech nestes dias, andiamo: permita-se perder e reencontrar o caminho entre galerias, sentir o calor das conversas sobre obras e coleções, e descobrir pequenas revelações — aquelas pepitas que só se revelam a quem se demora. É aqui, entre o antigo e o novo, que a 1-54 mostra seu compromisso: dar palco às narrativas africanas, celebrando diversidade, memória e futuro.
Para os que acompanham de longe, a feira permanece um farol: uma vitrine que conecta mercados, ideias e vidas, e que reafirma Marrakech como um ponto de confluência essencial da arte contemporânea africana. Buon viaggio aos sentidos — e que a arte nos guie.






















