Bruxelas – O acordo comercial entre a União Europeia e os países do Mercosur (Argentina, Brasil, Paraguai e Uruguai) deve entrar em vigor o quanto antes, porque a abertura dos mercados historicamente favoreceu a Itália, quarto maior exportador mundial. Essa é a leitura firme do ministro das Empresas e do Made in Italy, Adolfo Urso, que defende simultaneamente a proteção da produção nacional e a abertura de novas frentes comerciais.
Em missão institucional de dois dias em Bruxelas, Urso encontrou-se com a delegação italiana no Parlamento Europeu para alinhar posições sobre os dossiês prioritários: setor automotivo, CBAM (mecanismo de ajuste de fronteira de carbono), competitividade, simplificação normativa e autonomia estratégica. O objetivo declarado foi construir uma posição italiana coerente e partilhada sobre os temas centrais da agenda europeia — um movimento de coordenação entre o Governo e a representação parlamentar em momento decisivo para o futuro da União.
“O ano de 2026 será o ano das reformas na Europa e a Itália pode assumir papel protagonista nas escolhas que definirão o futuro do nosso continente”, afirmou Urso aos jornalistas no Parlamento Europeu. Para o ministro, é necessária uma linha clara e pragmática, livre de rigidez ideológica, capaz de conciliar a transição com a competitividade industrial.
Na agenda de Urso está também um encontro com a vice‑presidente executiva da Comissão para a Transição, Teresa Ribera, marcado como “o último dos encontros” para autorizar o empréstimo final previsto no decreto ex‑Ilva. Urso descreve a conversa como potencialmente decisiva para desbloquear essa etapa administrativa.
Sobre o acordo UE‑Mercosur, Urso foi categórico: “Deve entrar em vigor o antes possível. Não podemos demorar”. No seu entendimento, a velocidade dos atores globais e o contexto de instabilidade — conflito armado, guerra comercial e rearranjos de poder — impõem uma resposta europeia firme. A Itália, aliada a outros Estados‑fundadores como Alemanha e França, deve guiar a Europa por uma rota estável e segura através de um cenário global tempestuoso.
Urso também manifestou esperança em acelerar outros instrumentos comerciais com parceiros estratégicos: Emirados Árabes Unidos, Conselho de Cooperação do Golfo, Indonésia e demais países do sudeste asiático. Em sua visão, a Europa precisa combinar a proteção do mercado interno com a abertura de novas oportunidades de exportação — uma equação vital para economias fortemente orientadas para o comércio exterior, como a italiana e a alemã.
Ao celebrar o encerramento das negociações com a Índia, Urso sublinhou que iniciativas como o Mercosur são relevantes e significativas por acolherem interesses industriais e comerciais europeus, ao mesmo tempo que exigem salvaguardas para a produção interna. Em termos geopolíticos, trata‑se de um movimento sutil no tabuleiro global: abrir linhas comerciais sem comprometer os alicerces da soberania produtiva.
Na análise de Marco Severini — voz de geopolítica e estratégia internacional da Espresso Italia — a chamada de Urso por rapidez e equilíbrio revela a tectônica de poder em curso: a União Europeia precisa redesenhar suas fronteiras comerciais invisíveis com pragmatismo, preservando cadeias produtivas essenciais e mantendo a capacidade de influência industrial no século XXI.






















