Bruxelas — Com a tocha olímpica em trânsito e os olhos voltados para os desportos de neve, os dados mais recentes do Eurostat oferecem um mapa preciso das dinâmicas industriais por detrás das pistas: em 2024 a União Europeia produziu 4,4 milhões de unidades de esqui e snowboard, registrando uma queda de 19% em relação a 2023. São cifras que retratam não apenas uma produção em retração, mas também uma clara concentração geográfica de capacidades produtivas e logísticas.
Do ponto de vista do tabuleiro, a movimentação é nítida: a Áustria responde por 40% da produção comunitária, consolidando-se como capital industrial europeia do setor. Viena não ocupa apenas a casa de maior fabricante; repete a posição de liderança quando se observa o comércio internacional de material de neve, tanto nas linhas de exportações quanto nas de importações.
No eixo das exportações para fora da UE, o volume total alcançou 2 milhões de unidades em 2024, uma queda de 19% face aos 2,4 milhões do ano precedente. A Áustria lidera, cobrindo 48% do total (aproximadamente 0,9 milhão), seguida pela França (15%, cerca de 0,3 milhão) e pela Alemanha (12%, cerca de 0,2 milhão). Quanto aos destinos, os Estados Unidos absorvem a fatia maior das vendas extra‑UE, com 38% — cerca de 0,7 milhão de peças — seguidos pela Suíça (14%, 0,3 milhão) e pelo Canadá (11%, 0,1 milhão).
No flanco das importações provenientes de países fora do bloco, o recuo foi mais acentuado: 1,2 milhão de unidades entraram em 2024, uma redução de 35% ante 2023 (1,9 milhão). Surpreendentemente, a Áustria figura novamente no topo dessas entradas, concentrando 52% das compras, com Alemanha (17%) e França (8%) na sequência.
Quanto às origens, o Eurostat aponta a Ucrânia como principal fornecedora extra‑UE, com 38% (0,4 milhão), praticamente empatada com a China, que também representa cerca de 38% (0,4 milhão). Mais abaixo, Taiwan contribui com 82 mil unidades (8%) e a Suíça com 56 mil (5%).
Do ponto de vista estratégico, tais números não são meramente econômicos: representam alicerces industriais que moldam corredores de influência e resilências productivas. A concentração austríaca evidencia um centro de gravidade no mapa europeu do equipamento de inverno — uma peça-chave para a cadeia de valor transnacional, desde o design até a logística de exportação. É um movimento de xadrez em que a colocação de uma indústria forte em um país pequeno altera a mobilidade comercial de todo o tabuleiro.
Para analistas e decisores, a queda na produção e nos fluxos comerciais sugere desafios conjunturais — demanda externa enfraquecida, reconfiguração das cadeias de abastecimento e competição asiática — mas também abre espaço para políticas de reengenharia industrial e diplomacia económica. Em meio ao brilho dos Jogos, os números do Eurostat lembram que a estabilidade das relações de poder passa pela capacidade de manter capacidades produtivas estratégicas e rotas de comércio seguras.
Marco Severini — Espresso Italia: observando, com calma de mestre, os movimentos decisivos no tabuleiro global.






















