Bruxelas – O eurodeputado Massimiliano Salini, de Forza Italia e vice‑presidente do grupo do Partido Popular Europeu (PPE), foi formalmente designado relator na Comissão de Ambiente do Parlamento Europeu para a revisão do Regulamento sobre os padrões de emissões de CO2 para automóveis e veículos comerciais ligeiros. A nomeação representa, nas palavras do próprio Salini, um «movimento decisivo no tabuleiro europeu» para reassumir o equilíbrio entre ambição ambiental e viabilidade industrial.
Em comunicado, o parlamentar sublinhou que a revisão constitui «uma oportunidade histórica para corrigir uma rota que, na legislatura anterior, acabara por impor, de facto, a eliminação do motor de combustão interna através da obrigação de emissões zero ao escape até 2035». Para Salini, com esta nova etapa «se abre uma fase nova»: a passagem, segundo ele, de um Green Deal excessivamente ideológico, centrado numa eletrificação forçada, para um novo «Deal industrial europeu» que seja pragmático, realista e sustentável nos planos económico, social e ambiental.
O pacote automotivo apresentado pela Comissão no final de 2025 altera o rumo: cai a proibição absoluta de novas matriculações de motores de combustão interna a partir de 2035. Em vez da meta de 100% de redução das emissões ao escape, impõe‑se agora um objetivo de redução de 90%. O 10% restante poderá ser compensado mediante o uso de aço de baixas emissões de carbono produzido na União Europeia ou por meio de e‑fuels e biocombustíveis. Na prática, abre‑se a janela regulatória para veículos híbridos plug‑in (PHEV), veículos com range extender, mild hybrids e modelos com motor de combustão interna coexistindo com veículos totalmente elétricos (EV) e a hidrogênio.
Salini enfatiza que o objetivo não é desmontar a trajetória de descarbonização, mas readaptar o regulamento ao contexto socioeconômico real do setor automotivo e garantir aos cidadãos uma efetiva liberdade de escolha. «Os últimos anos expuseram os limites tecnológicos e industriais de imposições dogmáticas, desconectadas da realidade e desenhadas em gabinete», afirmou, lembrando que a transição deve ser sustentável tanto para as fábricas quanto para as comunidades envolvidas na cadeia de valor.
O eurodeputado reconheceu algumas medidas já adotadas pela Comissão — como a primeira flexibilidade nos targets de 2025 para veículos ligeiros e o Industrial Action Plan — mas considerou que não foram suficientes para restaurar visibilidade e confiança à filiera. A antecipação da revisão pela Comissão é vista por Salini como um sinal positivo, embora a «reconhecimento da neutralidade tecnológica» permaneça parcial: a sua plena realização foi adiada para 2035 e permanece condicionada a limites considerados demasiado estritos, como o teto de apenas 3% para certos combustíveis renováveis, segundo críticas do setor.
À luz desses desenvolvimentos, o relatório que Salini conduzirá no Parlamento terá papel central: articular compromissos realistas de redução de emissões — preservando, simultaneamente, a capacidade competitiva da indústria automotiva europeia — enquanto negoceia as linhas mestras de uma transição tecnologicamente neutra. Em termos de geopolítica industrial, trata‑se de redesenhar fronteiras invisíveis de influência industrial e energética, garantindo que a tectônica de poder europeia sobre a mobilidade do futuro não se fragilize por decisões de curto prazo.
Assinatura: Marco Severini, analista sênior de geopolítica e estratégia internacional, Espresso Italia.






















