Mark Rutte, em visita oficial a Macedônia do Norte, ofereceu ontem uma leitura estratégica sobre os desdobramentos do confronto entre Estados Unidos, Israel e o Irã, afirmando que há apoio europeu às ações contra Teerã, enquanto a OTAN — embora não envolvida nas operações militares — está pronta para proteger integralmente o território aliado.
Em coletiva conjunta com a presidente macedônia Gordana Siljanovska-Davkova, realizada em Skopje, Rutte disse ter sentido “um amplo apoio na Europa” e relatou conversas telefônicas com diversos líderes ao longo do fim de semana e início da semana. A sua mensagem foi dupla: por um lado, reconhecimento ao alinhamento ocidental contra as capacidades estratégicas do Irã; por outro, uma clareza defensiva sobre os compromissos coletivos da Aliança.
Rutte observou que entre seus pares houve aplauso pela eventual remoção da capacidade nuclear e balística iraniana e, de modo mais incisivo, pela hipotética “desaparição” de Ali Khamenei. Nas palavras do político: muitos colegas consideram que “estamos todos melhor com a queda” do líder supremo, atribuível, segundo Rutte, à responsabilidade de Khamenei por milhares — possivelmente dezenas de milhares — de mortes desde os protestos iniciados em janeiro.
Ao mesmo tempo, o ex-primeiro-ministro holandês cuidou de dissociar a OTAN das operações ofensivas: “A Aliança não está envolvida”, repetiu, antes de garantir que “a OTAN defenderá cada centímetro do seu território”. Essa afirmação, medida e firme, é um sinal para aliados e adversários sobre os alicerces da solidariedade coletiva.
Rutte também comentou a postura diferenciada de alguns aliados, citando o caso da recusa da Espanha em apoiar a campanha contra Teerã. Ainda assim, explicou que “muitos aliados estão fornecendo um apoio chave que não faz parte da campanha, mas está ligado ao acesso logístico”, exemplificando com o sistema Patriot espanhol implantado na Turquia.
Do ponto de vista estratégico, o secretário general descreveu a ameaça mais preocupante como sendo a combinação de capacidade nuclear e mísseis balísticos nas mãos do regime iraniano. “Isso representa um perigo não apenas para o Médio Oriente e para a própria existência de Israel, mas também para nós na Europa”, afirmou, traçando um mapa claro de risco que transcende fronteiras regionais.
Rutte reforçou ainda o diagnóstico de que o problema é do regime, não do povo iraniano, trazendo um elemento humano à análise: cidadãos da diáspora iraniana têm sido alvo de intimidações e ameaças, inclusive no contexto neerlandês, conforme seu relato pessoal.
Por fim, a situação global serviu para renovar o apelo ao fortalecimento da capacidade de defesa dos aliados: Rutte relembrou a meta da Aliança de elevar os gastos militares para 5% do PIB até 2035, advertindo que “não é hora de acomodação”. Em linguagem de estrategista, suas palavras desenham um movimento decisivo no tabuleiro da segurança euro-atlântica — um chamado para reforçar linhas e assumir posições a fim de preservar a estabilidade num momento de tectônica de poder acelerada.






















