Bruxelas — “Prossigo minha trajetória por conta própria: a partir de hoje Futuro Nazionale é uma realidade”. Com esta declaração concisa e calculada, o eurodeputado e general Roberto Vannacci formalizou sua ruptura com a Lega e lançou seu projeto político independente.
A movimentação já vinha sendo antecipada nos corredores de Bruxelas: em 24 de janeiro Vannacci havia depositado o símbolo de Futuro Nazionale, embora à época negasse a intenção imediata de deixar o partido que o acolheu quando estava politicamente isolado. A mudança, agora oficial, marca um movimento decisivo no tabuleiro político italiano e europeu — um redesenho de fronteiras invisíveis entre forças da direita que poderá repercutir nas dinâmicas de grupo no Parlamento Europeu.
Vannacci desempenhou, até então, funções relevantes dentro da estrutura partidária: foi vice‑secretário da Lega, candidato apoiado pelo partido em diversas circunscrições nas eleições europeias e indicado como vice‑presidente do grupo dos Patrioti no hemiciclo europeu. Sua saída, portanto, interrompe alicerces de conveniência política construídos nos últimos anos e levanta perguntas sobre capacidade de agregação e de sobrevivência das coalizões no espaço europeu.
Matteo Salvini, secretário federal da Lega e ex‑vice‑primeiro‑ministro, reagiu publicamente por meio de um comunicado: recordou que o partido acolheu Vannacci em um momento de isolamento e enfatizou as oportunidades que foram concedidas a ele dentro da formação, desde a candidatura até nomeações internas. A fala de Salvini tem o tom de quem registra um desfazimento necessário, mas também tenta preservar a narrativa de generosidade estratégica do partido.
Fontes parlamentares em Bruxelas informaram que o grupo dos Patrioti no Parlamento Europeu já se alinhou à consequência previsível da ruptura: por decisão unânime, o grupo aprovou hoje a expulsão de Vannacci. A formalização desta medida deverá ocorrer na sessão plenária da próxima semana, quando o ato será anunciado oficialmente. Este movimento expõe a fragilidade de vínculos construídos mais por conveniência do que por afinidade programática.
Do ponto de vista geopolítico, a iniciativa de Vannacci é sintomática de um momento em que lideranças individuais, percebendo freios às suas ambições dentro de estruturas partidárias mais amplas, optam por criar canais próprios de projeção. É um gesto que pode tanto fragmentar o campo da direita quanto criar um pólo de atração seletiva — o resultado dependerá da capacidade de Vannacci de articular apoios além da retórica do posicionamento nacional.
Em termos práticos, os próximos dias serão decisivos: a confirmação da expulsão no plenário servirá de termômetro para a reação dos aliados europeus e para a articulação de Salvini em responder ao novo cenário. No tabuleiro da política italiana e europeia, o nascimento de Futuro Nazionale configura uma nova peça cuja trajetória ainda é incerta, mas cuja presença já altera combinações estratégicas e expectativas.
Marco Severini — Espresso Italia






















