Por Marco Severini — Espresso Italia
Cracóvia / Varsóvia, 20 de fevereiro de 2026 — Os ministros da Defesa do grupo conhecido como E5 (França, Alemanha, Itália, Polônia e Reino Unido) formalizaram uma declaração conjunta com objetivo claro: impulsionar a produção europeia de tecnologias anti-drones e de defesa aérea a baixo custo. A reunião, realizada em Varsóvia com registros oficiais em Cracóvia, marca um movimento estratégico que visa reforçar os alicerces industriais e operacionais da segurança europeia.
Como observei ao longo de anos analisando a tectônica de poder em conflito, trata-se de um movimento que procura redesenhar fronteiras invisíveis do espaço aéreo e da indústria de defesa — um tipo de jogada no tabuleiro que combina manufatura, inovação e coordenação política. “Os drones estão a revolucionar o campo de batalha e a alterar o curso da guerra na Ucrânia”, afirmou o ministro da Defesa polonês, Wladislaw Kosiniak-Kamysz, sublinhando que a rápida evolução das plataformas não tripuladas, sobretudo pela incorporação de inteligência artificial, exige respostas igualmente dinâmicas.
O ministro britânico do setor industrial e de preparação militar, Luke Pollard, ressaltou que “neste front podemos fazer muito juntos”: o propósito é exatamente intensificar a capacidade tecnológica e de produção para acompanhar a velocidade das mudanças. Da perspectiva italiana, a subsecretária de Estado à Defesa, Isabella Rauti, enfatizou a vulnerabilidade coletiva: como Estados e como bloco europeu, “somos vulneráveis” diante desse novo espectro de ameaças, e a resposta precisa ser coletiva, proativa e coordenada.
A alta representante da UE para a Política Externa e de Segurança, Kaja Kallas, sintetizou o contexto estratégico: “A segurança da Europa é mais incerta do que em décadas”. Neste sentido, fortalecer o hard power europeu tornou-se imperativo. O anúncio do E5 aparece, portanto, como um gesto concreto de responsabilidade: investimentos e iniciativas para desenvolver defesas aéreas a baixo custo e acessíveis aos diversos teatros operacionais do continente.
Do ponto de vista técnico e operacional, o ministro alemão Boris Pistorius sublinhou a necessidade de identificação rápida das ameaças híbridas e do controle do espaço aéreo, enfatizando que a força coletiva deve ser construída tanto no âmbito europeu quanto na cooperação transatlântica. Sobre isso, a Polônia foi clara ao reafirmar relações robustas com os Estados Unidos, mas condicionou a parceria a maior compromisso industrial e financeiro por parte de Washington. Em resposta às pressões americanas sobre compras, Varsóvia abriu a possibilidade de participação americana no programa europeu SAFE, avaliado em 150 bilhões de euros para revitalizar a indústria de defesa da União.
Do ponto de vista estratégico, este movimento do E5 pode ser lido como uma tentativa de criar linhas de produção e cadeias de fornecimento resilientes na Europa, reduzindo dependências externas e garantindo autonomia de decisão — um redesenho cuidadoso do mapa de influência. A aposta em soluções anti-drones de custo reduzido busca atender à necessidade de escalabilidade: em teatro moderno, a quantidade, rapidez de reposição e interoperabilidade muitas vezes valem tanto quanto a sofisticação técnica isolada.
Concluo que estamos diante de um movimento calculado: não uma corrida isolada por projetos espetaculares, mas uma coordenação pragmática para fortalecer capacidades essenciais no médio prazo. Como num jogo de xadrez, os cinco estados moveram agora peças estratégicas cujo efeito será medido nas próximas fases — na capacidade industrial de entrega, na interoperabilidade tática e na determinação política de sustentar programas que tornem a Europa menos vulnerável e mais capaz de projetar poder defensivo quando necessário.






















