Por Marco Severini — Em um movimento estratégico que busca fixar no tecido do esporte italiano as práticas implementadas nos Jogos de Inverno, o CONI e o CONAI formalizaram um protocolo que prolonga até 31 de dezembro de 2028 o modelo de sustentabilidade testado em Milano‑Cortina 2026. Assinado pelos presidentes Luciano Buonfiglio e Ignazio Capuano, o acordo não é apenas um ato administrativo: é um deslocamento de peças no tabuleiro da política ambiental esportiva, destinado a tornar permanentes normas, rotinas e padrões que funcionaram sob pressão olímpica.
O protocolo, válido para todo o quadrienio olímpico e direcionado a federações, sociedades desportivas e organizadores de eventos em todos os níveis, integra linhas‑guia para a reciclagem, padrões de gestão de resíduos e práticas de economia circular. Entre os materiais apontados para valorização destacam‑se aço, alumínio, papel, madeira, plástico, bioplásticos compostáveis e vidro. A intenção é clara: converter a excelência operacional demonstrada em um teatro de alta visibilidade em um padrão nacional aplicável a qualquer grande evento esportivo no território italiano.
Na linguagem da diplomacia informativa, trata‑se de transformar um experimento bem‑sucedido em um precedente institucional. Para Buonfiglio, “levar a reciclagem, as linhas‑guia ambientais e as boas práticas às nossas estruturas e eventos significa transformar cada ocasião em uma oportunidade de responsabilidade compartilhada. Nossos atletas, pelos valores que representam, serão modelos cada vez mais fortes para comportamentos virtuosos e atentos ao ambiente.”
Capuano, por sua vez, realçou o efeito multiplicador da atividade desportiva: “O esporte tem um enorme poder comunicativo e pode se tornar um multiplicador de comportamentos virtuosos. A Itália já superou os 76,7% de reciclagem de embalagens — um resultado que nos coloca acima das metas europeias. Mas a sustentabilidade não pode ficar restrita aos nossos lares: precisamos aplicar a mesma diligência nas arquibancadas, nas arenas e nos grandes eventos que mobilizam milhões.”
As disposições do protocolo preveem ainda programas de informação e formação, com foco nos jovens, para enraizar a cultura da separação de resíduos nos estádios e instalações desportivas. Em termos práticos, federações e promotores de eventos serão chamados a adotar procedimentos logísticos que facilitem a coleta seletiva, pontos de entrega para fluxos de materiais reutilizáveis e circuitos locais de reciclagem, integrados aos sistemas já existentes do CONAI.
Do ponto de vista geoestratégico, esta iniciativa representa um redesenho de fronteiras invisíveis: ao definir regras e standards nacionais para a gestão ambiental do evento desportivo, cria‑se uma plataforma de influência normativa que poderá ser referenciada em fóruns europeus e em parcerias internacionais. É um movimento de arquitetura institucional — alicerces que visam garantir que o legado dos Jogos não seja efêmero, mas sim incorporado à rotina organizacional do sistema esporte.
Em suma, o protocolo CONI‑CONAI é um passo decisivo para institucionalizar a sustentabilidade no esporte italiano. Mais do que boas intenções, oferece instrumentos técnicos e educacionais para que cada competição se transforme em uma peça funcional da economia circular, reafirmando a responsabilidade coletiva e elevando a maturidade ambiental do país diante da plateia global.






















