Milão voltou a colocar a criatividade italiana na vitrine global com o trem de chocolate mais longo já construído. Na segunda-feira, 26 de janeiro, o Palácio da Lombardia recebeu a «Giornata dei Record» onde o mestre chocolatier Andrew Farrugia apresentou uma obra que é ao mesmo tempo engenharia e doçura: um comboio com 22 vagões, 55,27 metros de extensão e 28 quintais de peso (aproximadamente 2.800 kg), certificado pelo Guinness World Records.
A composição não é apenas simbólica: além da locomotiva de inspiração histórica, o trem inclui carroças de passageiros, uma carroça-restaurante equipada com mesas e cadeiras, e vagões de carga — todos esculpidos e montados em chocolate com detalhes que impressionam por escala e precisão. A iniciativa mobilizou escolas, consórcios e diversas entidades locais, numa colaboração que uniu técnica, talento e propósito social.
Todo o montante arrecadado durante o evento foi destinado à Associação de Cuidados Paliativos, transformando a façanha em um instrumento de solidariedade. A iniciativa foi pensada também para capitalizar o impulso das Olimpíadas Milão‑Cortina 2026, aproveitando o momento para destacar competências locais e gerar retorno social e econômico.
Em discurso no evento, o presidente da Região da Lombardia, Attilio Fontana, destacou que o recorde nasce da combinação entre saper fare, criatividade e generosidade: “Usamos as Olimpíadas para evidenciar nossas qualidades: capacidade de fazer, criatividade e, por fim, o nosso coração de ouro. Os benefícios econômicos desta iniciativa serão revertidos para uma associação de cuidados paliativos. Determinação, competência, saper fare e cuore d’oro”. Fontana sublinhou também que, além de ser uma região de trabalho e empreendedorismo, a Lombardia revela frequentemente seu grande traço humano quando se trata de apoio social.
Como economista observando este tipo de projeto, vejo ações assim como uma calibragem estratégica: a montagem do trem de chocolate funciona como um motor simbólico para a economia local — combina promoção turística, cadeia produtiva do setor alimentício e acúmulo de capital social. É uma aceleração de tendências onde criatividade e responsabilidade social atuam como engrenagens bem alinhadas.
O evento também tem um efeito multiplicador: escolas e consórcios locais participaram do processo, gerando aprendizagem técnica e valorização do artesanato culinário. Ao transformar um ato de marketing e espetáculo em receita para causas sociais, a iniciativa demonstra que desenvolvimento, inovação e solidariedade podem ser freios e aceleradores ao mesmo tempo — freios para desperdício e desigualdade, aceleradores para reputação e impacto local.
Em termos práticos, o recorde confirma que é possível planejar grandes operações de comunicação com retorno tangível. A peça de chocolate de 55,27 metros não é apenas um feito confeitório; é um case de design de políticas culturais e de sustentabilidade econômica numa região que sabe calibrar suas forças para obter máxima performance.
Para quem busca uma imagem clara: imagine a economia regional como um trem — com motor potente e vagões sincronizados. Quando as políticas, as empresas e a sociedade civil se acoplam bem, a composição avança robusta, com velocidade e propósito.





















