A expectativa global gira em torno da entrevista coletiva do presidente Donald Trump nesta quarta-feira, 2 de abril, onde será detalhado seu novo plano tarifário. A medida, que promete impor tarifas recíprocas aos principais parceiros comerciais dos Estados Unidos, pode colocar a Itália no epicentro de uma nova guerra comercial. Segundo cálculos da Bloomberg Economics, as tarifas sobre produtos italianos poderiam chegar a 60%, tornando o país o mais prejudicado entre os afetados.
O Cálculo das Tarifas e o Alvo Italiano
A administração Trump argumenta que os Estados Unidos sofrem um “tratamento injusto” por parte de seus parceiros comerciais, levando a um déficit na balança comercial. Em resposta, a Casa Branca planeja aplicar tarifas recíprocas, baseadas na soma das barreiras tarifárias e não tarifárias, além do IVA, que em muitos países europeus é superior ao dos EUA.
A Bloomberg Economics calculou que a Itália está no topo da lista de países mais expostos, com tarifas recíprocas projetadas em 60%. Esse percentual é resultado de uma diferença de 3% entre as tarifas atualmente aplicadas e sofridas, um IVA de 22% e medidas não tarifárias equivalentes a 35%. A Irlanda e a China aparecem logo atrás, com 58% e 54%, respectivamente.
Setores em Risco: Vinhos, Medicamentos e Máquinas Industriais
A imposição de tarifas tão elevadas pode ter um impacto devastador em setores-chave da economia italiana. O setor vinícola, que depende fortemente do mercado norte-americano, enfrentaria um aumento significativo de custos para consumidores dos EUA. O setor farmacêutico, um dos pilares das exportações italianas, também seria fortemente atingido, assim como a indústria de máquinas industriais, que tem os EUA como um de seus principais mercados.
Impacto Global e Riscos de Retaliação
A medida de Trump não apenas ameaça os países exportadores, mas também pode desencadear uma resposta forte da União Europeia. A presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, reiterou a disposição de negociar, mas alertou que Bruxelas está pronta para adotar contramedidas, se necessário.
Manfred Weber, líder do Partido Popular Europeu, sugeriu uma retaliação voltada para os serviços americanos, incluindo restrições à participação de empresas dos EUA em contratos públicos na Europa e a limitação de direitos de propriedade intelectual. Para adotar tais medidas, a UE precisaria da aprovação de uma maioria qualificada entre os 27 Estados-membros.
Efeitos na Economia Global e nos EUA
A história mostra que tarifas protecionistas podem ter consequências adversas. A Lei Tarifária Smoot-Hawley, de 1930, ampliou a Grande Depressão ao reduzir o comércio global. A nova abordagem tarifária de Trump pode gerar efeitos similares. A Bloomberg Economics estima que, caso as tarifas sejam aplicadas de maneira ampla e seguida por retaliações, o PIB dos EUA poderia encolher em até 4%, enquanto a inflação poderia subir 2,5% nos próximos dois a três anos.
Apesar disso, a Casa Branca sustenta que as novas tarifas gerarão um aumento na arrecadação, refinanciando cortes de impostos e estimulando investimentos nos EUA. O conselheiro de comércio Peter Navarro estima um impacto positivo de até US$ 700 bilhões por ano, embora os detalhes de seus cálculos não tenham sido divulgados.
O Que Esperar da Coletiva de Trump
Enquanto Washington se prepara para o pronunciamento de Trump, incertezas pairam sobre os detalhes exatos das medidas. O Wall Street Journal sugeriu que uma tarifa geral de 20% pode estar sobre a mesa, enquanto a alternativa de desvalorização do dólar para aumentar a competitividade dos produtos americanos também é discutida.
A decisão final ainda está nas mãos de Trump. Sua porta-voz, Karoline Leavitt, confirmou que o presidente está considerando várias propostas e que fará o anúncio definitivo na coletiva de imprensa. Enquanto isso, os parceiros comerciais dos EUA aguardam com apreensão para entender o real impacto das novas tarifas e decidir sobre suas próximas estratégias.