Apresentado no contexto do SIGEP 2026, o position paper “Óleo de palma sustentável: nutrição e segurança alimentar” busca iluminar um debate muitas vezes marcado por visões ideológicas. Redigido pelo Comitê Técnico Científico da Unione Italiana para o óleo de palma sustentável, o documento propõe uma avaliação integrada, ancorada em evidências científicas, que considere simultaneamente os aspectos de nutrição, sustentabilidade ambiental, segurança alimentar e economia de cadeia.
O grupo de trabalho que elaborou o texto reúne nomes de peso: o professor Sebastiano Banni, da Universidade de Cagliari, o tecnólogo alimentar e especialista em nutrição Giorgio Donegani e o professor Andrea Poli, presidente da Nutrition Foundation of Italy. Em colaboração com a associação Assitol, o paper foi apresentado em evento no SIGEP por Donegani e Banni, com participação de Andrea Carrassi, diretor-geral da Assitol, e de Lucia Gramigna, R&D Oil and Fats Manager da Unigrà, que detalhou os aspectos tecnológicos do emprego do óleo de palma na indústria alimentícia.
O Comitê Técnico Científico da Unione Italiana atua como um organismo interdisciplinar independente, escolhido para conferir autoridade, rigor e objetividade às posições públicas da associação. Sua função é assegurar suporte científico e validação para todas as comunicações e posicionamentos sobre o óleo de palma sustentável, contemplando dimensões nutricionais, sociais, de cadeia produtiva e ambientais.
Entre os pontos centrais do document o destacam-se: o papel fisiológico dos lipídios e dos ácidos graxos saturados numa dieta equilibrada; a constatação de que, quando inserido em um padrão alimentar normocalórico e balanceado, o óleo de palma não altera de modo desfavorável o perfil lipídico; e a análise das evidências mais recentes sobre o ácido palmítico — componente natural também presente no organismo humano e envolvido em funções biológicas essenciais.
O paper também traça a trajetória normativa e tecnológica que resultou em uma forte redução de contaminantes de processo em óleos e gorduras vegetais, hoje regulados por limites europeus rigorosos. Ressalta-se, ainda, o papel potencial do óleo de palma sustentável na garantia da segurança alimentar global, especialmente em regiões onde alternativas viáveis e de mesma escala podem não existir.
Um ponto de reflexão proposto pelo documento é contundente: a simples eliminação de um ingrediente da formulação industrial não assegura, por si só, melhoria nutricional da dieta. Políticas alimentares eficazes exigem avaliação holística do balanço nutricional e do impacto sobre a sustentabilidade de cadeia — uma abordagem que semeia soluções duradouras, mais do que reações imediatistas.
Em declaração à Espresso Italia, o posicionamento resume-se assim: “O debate sobre o óleo de palma deve transitar da contradição ideológica para uma avaliação científica integrada, que combine nutrição, segurança alimentar e sustentabilidade”. Essa é uma chamada para iluminar novos caminhos — onde ciência, tecnologia e responsabilidade socioambiental se encontram para cultivar políticas e práticas mais justas.
Como curadora de diálogo entre sociedade, indústria e ciência, vejo nesse position paper uma semente de claridade: não um veredito final, mas um convite lúcido para que decisões públicas e privadas sejam orientadas por evidências, mitigando riscos e preservando o acesso a alimentos seguros e nutritivos.






















