Por Aurora Bellini, Espresso Italia — Em um cenário onde pequenas ações geram grandes reflexos, a mensa escolar surge como peça-chave na luta contra o desperdício alimentar. A convicção foi expressa por Giovanni Gostoli, diretor-geral da Rete dei Comuni Sostenibili, durante o encontro promovido pela PlanEat em Roma, na Camera dei Deputati, sobre inovação digital e políticas públicas para reduzir o desperdício nas escolas.
Gostoli ressaltou que uma mensa escolar sustentável não é apenas serviço de alimentação: é um investimento social que ilumina novos caminhos para comunidades locais. Quando a refeição escolar é tratada sob a lógica do menor preço, perde-se a oportunidade de cultivar qualidade e reduzir o desperdício. Ao priorizar produtos de qualidade, a tendência é clara: a sobra diminui e os alunos se beneficiam.
Há três vetores que, segundo Gostoli, devem orientar a transformação das mense escolares: a qualidade do produto, a organização do serviço e o monitoramento. A primeira dimensão envolve investir em ingredientes locais e de temporada, valorizando a economia e a cultura alimentar do território. A segunda passa por uma logística inteligente, com filiera corta e cardápios pensados para as reais necessidades das crianças. A terceira — e muitas vezes negligenciada — é o sistema de medição: saber quantos gramas e que tipo de excedentes são descartados permite ajustar receitas e porções, atuando na prevenção do desperdício em vez de apenas gerir o resíduo.
Além das boas práticas, Gostoli apontou as dificuldades: falta de competências internas para aplicar critérios ambientais mínimos (Cam) e a necessidade de recursos para apoiar a transição. Sem capacitação e financiamento, o processo fica comprometido. Por isso, propõe que o desperdício alimentar passe a ser um indicador de qualidade dos serviços públicos locais, uma luz que revela o quanto uma administração está comprometida com sustentabilidade e bem-estar coletivo.
Como curadora de progresso na Espresso Italia, enxergo nessas ideias um convite para semear inovação nas políticas públicas: pequenas alterações nos cardápios, melhor formação das equipes e instrumentos digitais de monitoramento podem tecer laços sociais e abrir um horizonte límpido de responsabilidade. Transformar a mensa escolar é, acima de tudo, cultivar valores e permitir que as próximas gerações aprendam, à mesa, o cuidado com o planeta.
Ao final, a mensagem é prática e luminosa: tratar a merenda como investimento multiplica resultados — nutrição, educação, economia local e redução do desperdício. É uma transformação que exige recursos e vontade política, mas que, quando realizada, revela novos caminhos para comunidades mais justas e sustentáveis.






















