Milão, 5 de março de 2026 — Em um encontro que iluminou tanto a memória quanto o futuro do manejo da água, a ANBI Lombardia promoveu hoje uma conferência de imprensa na histórica Veneranda Biblioteca Ambrosiana, reafirmando o papel estratégico dos Consorzi de bonifica e irrigazione na proteção dos recursos hídricos e na prevenção da seca em um contexto de mudanças climáticas crescentes.
A escolha do cenário não foi casual: a Biblioteca Ambrosiana guarda testemunhos milenares e artísticos ligados à água, como o Codice Atlantico de Leonardo da Vinci, a pintura “A alegoria da água” de Brueghel, encomendado ao Cardeal Federico Borromeo, e os restos de uma canaleta romana em pedra, exemplo vivo de antigas práticas de bonifica idraulica. Foi nesse espaço de luz e história que se desenrolou um debate técnico e institucional de grande relevância para o território lombardo.
A coletiva, mediada pelo diretor Mario Reduzzi, contou com a participação do presidente Alessandro Rota, do diretor-geral da ANBI, Massimo Gargano, e do dr. Carlo Enrico Cassani, representando a Regione Lombardia. Também interveio o presidente nacional da ANBI, Francesco Vincenzi, que pontuou a urgência das medidas frente às transformações climáticas e a responsabilidade coletiva na salvaguarda de um território tão fértil e estratégico quanto a Lombardia.
Os representantes destacaram o papel multifuncional dos Consorzi: além da regulação hidráulica, atuam na provisão e uso sustentável das águas para irrigação, na salvaguarda ambiental e na segurança alimentar. Essas atividades traduzem um compromisso com a segurança territorial, ambiental e alimentar, pilares para um desenvolvimento econômico genuíno e sustentável.
Nesta sessão foram apresentados projetos da Lombardia candidatos ao PNIISSI — Piano Nazionale di Interventi Infrastrutturali e per la Sicurezza nel Settore Idrico — que visam reforçar a capacidade de resposta a eventos extremos, modernizar infraestruturas hidráulicas e promover soluções resilientes em bacias críticas. As propostas combinam técnicas tradicionais de manejo hídrico com inovação tecnológica e estratégias de governança integrada.
A história institucional da ANBI também foi lembrada: fundada em 1947, a Associação Nacional per le Bonifiche, Irrigazioni e Miglioramenti Fondiari tem como missão a realização e gestão de obras de defesa e regulação hidráulica, além de iniciativas para a utilização sustentável das águas. Essa tradição técnica e administrativa sustenta hoje ações voltadas para a resiliência climática.
Alessandro Rota, presidente da ANBI Lombardia e empreendedor agrícola de 36 anos natural de Cassano d’Adda (Milão), trouxe ao debate a perspectiva prática do mundo rural e a urgência de políticas que conectem produção agrícola, gestão hídrica e proteção do território. Já Massimo Gargano sublinhou a necessidade de sinergia entre níveis institucionais e atores locais para transformar projetos em obras concretas.
Ao final, a conferência reafirmou um princípio claro: as respostas à crise hídrica exigem um olhar longo, capaz de semear inovação mantendo respeito pela história e pelo território. Nesta sinuosa travessia entre passado e futuro, iniciativas como as apresentadas na Ambrosiana representam pequenos faróis — iluminando novos caminhos para que a água continue a ser fonte de vida, prosperidade e coesão social.
Fonte: Espresso Italia





















