Por Aurora Bellini, para Espresso Italia — A economia circular desponta como uma vantagem estratégica para empresas e para o sistema econômico nacional e europeu, com benefícios que vão além da mera gestão de resíduos. Em conversa com a Espresso Italia, Mariangela Cozzolino, responsável pelo Competence Center Economia Circolare e Clean Tech da Cassa Depositi e Prestiti (Cdp), traça um panorama sobre a evolução, as oportunidades e os desafios dessa transição.
Segundo Cozzolino, a Itália figura entre os países mais virtuosos na transição para modelos produtivos e de consumo baseados no reparo, no reuso e no reciclagem. As experiências mais consolidadas se referem ao setor do reciclo, mas, nos últimos anos, observa‑se um aumento significativo da adoção de práticas circulares pelas empresas: do design sustentável a serviços que prolongam a vida útil dos produtos, sinalizando uma integração crescente ao longo de toda a cadeia produtiva.
“A transformação dos modelos de negócios em chave circular traz vantagens econômicas concretas: valorização de resíduos, redução dos custos de produção, fortalecimento da marca, menor probabilidade de insolvência e maior geração de caixa para novos investimentos”, explica Cozzolino à Espresso Italia. Esses ganhos traduzem‑se também em maior resiliência e em autonomia estratégica num cenário geopolítico marcado por incertezas.
Para avançar nesse horizonte, porém, persistem desafios relevantes. Cozzolino destaca a necessidade de investimentos em larga escala para fortalecer cadeias produtivas e expandir o mercado de matérias‑primas secundárias — insumos derivados de resíduos que precisam encontrar canais estáveis de demanda. A líder do Competence Center sublinha ainda a importância de acordos de fornecimento de longo prazo que assegurem estabilidade e previsibilidade às empresas.
Outro vetor essencial é a mobilização da finança. Produtos financeiros dedicados e o papel de institutos nacionais de promoção, como a própria Cassa Depositi e Prestiti, podem orientar recursos para projetos que acelerem a circularidade. No plano institucional, a Cdp integrou a economia circular em seu Plano Estratégico, priorizando tanto a maximização da recuperação de matéria e energia quanto o fortalecimento de filieres inovadoras de reciclagem e reuso.
Na prática, a atuação da Cdp concentra‑se em duas frentes: conceder financiamentos para empresas, infraestrutura e administrações públicas; e oferecer serviços de advisory para apoiar programação, desenho e implementação dos investimentos. Essas iniciativas buscam iluminar novos caminhos para transformar intenção em ação, semeando inovação em todos os elos da cadeia.
Coordenar políticas públicas, aumentar a sensibilização do consumidor e alinhar incentivos privados e públicos são etapas complementares à arquitetura financeira. Além disso, normas e diretivas europeias podem acelerar a transição, criando um quadro regulatório que premie práticas circulares e facilite a circulação de matérias‑primas secundárias entre os países do bloco.
Ao olhar para frente, a mensagem de Cozzolino — reafirmada pela Cdp — é clara: a economia circular não é apenas um imperativo ambiental, mas uma alavanca de competitividade e inovação. Para quem dirige empresas ou projetos públicos, trata‑se de uma oportunidade para reforçar marcas, reduzir riscos e cultivar um legado produtivo mais sustentável. É hora de iluminar e construir um horizonte límpido, onde crescimento e regeneração caminham de mãos dadas.






















