Por Aurora Bellini, Espresso Italia — A recente diretiva da União Europeia, introduzida em setembro de 2025, marca um passo decisivo para reduzir o desperdício alimentar em diversos setores — incluindo a alimentação escolar. Em evento promovido pela PlanEat na Sala de Imprensa da Câmara dos Deputados, a professora associada de Direito Internacional da Universidade de Pavia e do IUSS, Carola Ricci, que também atua como delegada para a África e Cooperação Internacional da Universidade de Pavia, explicou como essa norma impõe metas obrigatórias que antes eram apenas recomendações ao nível dos ODS (SDGs).
Ricci observou que a novidade normativa torna mandatórias metas que, até então, não eram exigidas para setores considerados grandes produtores de desperdício — como a distribuição alimentar e o consumo doméstico. Essa imposição europeia acende um novo foco de responsabilidade partilhada entre governos, escolas, famílias e empresas, iluminando caminhos práticos para transformar diretrizes em ações concretas.
No entanto, a professora assinalou que ainda persistem lacunas metodológicas: faltam métodos de medição uniformes a nível europeu e nacional, o que dificulta avaliar com precisão onde estamos e definir metas claras para o futuro. Ter métricas comparáveis é essencial para que políticas públicas sejam monitoradas com rigor e eficiência.
Em tom sereno e propositivo, Ricci ressaltou que a Itália está bem posicionada para acolher e implementar essas mudanças. Este ano marca o décimo aniversário da Lei Gadda, que já introduziu conceitos pioneiros como a pirâmide invertida para a redução de excedentes alimentares e criou incentivos para que empresas façam doações a quem mais precisa — além de estabelecer uma definição nacional de “excedente” que antes não existia.
Para o contexto específico da restauração escolar, Ricci destacou experiências práticas promissoras: projetos e fundos, como o Onfoods, demonstraram que é possível reduzir o desperdício ao envolver famílias, equipe escolar e fornecedores. A proposta incluiu a promoção de dietas mais sustentáveis e balanceadas para crianças e adolescentes, reforçando que a mudança de hábito se constrói com educação, logística e políticas públicas integradas.
Ao concluir, Ricci sublinhou que um enfoque multissetorial, alinhado à Lei Gadda e à nova diretiva europeia, é a via mais eficaz para transformar recomendações em resultados palpáveis — sem deixar ninguém para trás. É um convite a semear inovação nas práticas diárias e a cultivar um horizonte límpido, onde a proteção do ambiente e o bem-estar das próximas gerações caminhem lado a lado.
Como curadora de progresso, observo que essas mudanças representam não apenas ajustes regulatórios, mas uma oportunidade de reescrever rotinas coletivas: iluminar caminhos para uma alimentação escolar mais justa, eficiente e sustentável é também tecer laços sociais e proteger o legado que deixaremos às crianças.






















