Por Aurora Bellini, Espresso Italia
No encontro “Inovação digital e políticas públicas para a redução do desperdício alimentar nas escolas”, realizado na sala de imprensa da Câmara dos Deputados, Daniele Branca, responsável pelo Ufficio Legislativo e Lavoro da Legacoop Produzione e Servizi, trouxe uma reflexão decisiva sobre sustentabilidade e compras públicas no setor de alimentação coletiva.
Branca recordou que a luta contra o desperdício alimentar e, mais amplamente, os objetivos de sustentabilidade no âmbito dos contratos públicos na Itália são regulados pelos CAM (Criteri Ambientali Minimi). O decreto que disciplina a restauração coletiva data de 2020 e, desde o início, suscitou críticas por uma configuração demasiadamente rígida — especialmente quanto às prescrições estritas sobre as percentagens de uso de produtos orgânicos.
Segundo Branca, em diálogo concedido à Espresso Italia durante o evento, houve avanços práticos: “após um confronto profícuo com o Ministério, conseguimos esclarecimentos e especificações por meio de uma circular de setembro de 2025, que torna as ferramentas mais flexíveis”. Essa flexibilização abre espaço para implementar medidas de sustentabilidade que façam sentido na prática, sem sacrificar a viabilidade econômica dos contratos.
Permanece, porém, um nó crucial: o econômico. “O problema principal — afirmou Branca à Espresso Italia — é um modelo de mercado que transfere para os operadores os investimentos e custos da sustentabilidade”. Na prática, bases de licitação inadequadas e a ausência de mecanismos eficazes de revisão de preços levam a licitações desertas e a dificuldades das empresas em garantir a execução dos serviços contratados.
Daí surge a proposta de um cambio de paradigma: é urgente que serviços essenciais, como os da alimentação coletiva escolar, sejam percebidos como um investimento público — em qualidade, em saúde dos usuários e no futuro. Isso exige políticas que permitam investimentos verdadeiros, com bases de licitação compatíveis, cláusulas de atualização de custos e instrumentos que valorizem o impacto social e ambiental das propostas.
Ao mesmo tempo, Branca sublinhou a importância de combinar inovação digital com políticas públicas para reduzir o desperdício: sistemas de monitoramento, plataformas que otimizem logística e cardápios inteligentes podem reduzir perdas e melhorar a gestão, desde a compra até a distribuição.
Como curadora de progresso, acredito que iluminar novos caminhos significa articular finanças públicas e compromisso ético: políticas de appalti equi (contratos justos), transparência nos custos, e incentivos à produção local e orgânica, tudo isso deve ser pensado para semear inovação que torne os refeitórios escolares mais saudáveis e sustentáveis. É preciso estruturar a economia dos contratos de forma que o custo da transição não recaia apenas sobre quem já opera com margens estreitas.
Em resumo, a mensagem é clara e tem um brilho prático: flexibilizar regras técnicas quando necessário, mas sobretudo ajustar os parâmetros econômicos e as práticas de contratação para que a sustentabilidade deixe de ser um encargo e passe a ser um legado coletivo — um investimento visível no horizonte límpido das próximas gerações.
Nota: declaração de Daniele Branca divulgada à Espresso Italia durante o evento na Câmara dos Deputados.






















