Por Aurora Bellini, Espresso Italia
Em Roma, no Terceiro Fórum Nacional “L’Italia in cantiere. Un Clean Industrial Deal Made in Italy”, promovido pela Legambiente, Riccardo Piunti, presidente do Conou (Consorzio nazionale degli oli minerali usati), trouxe ao centro do debate a força de um modelo que ilumina caminhos para uma economia circular pragmática e escalável. Segundo Piunti, o consórcio italiano garante a rigeneração de 98% do óleo mineral usado recolhido no país — um indicador de excelência que, nas suas palavras, é fruto de técnica, cooperação e um sistema bem arquitetado.
O que torna esse arranjo notável não é apenas a expressiva taxa de recuperação, mas a simplicidade e a linearidade do processo. O óleo usado segue um fluxo organizado: é entregue ao raccoglitore (coletor), transportado até as unidades de rigeneração e transformado em um ciclo controlado e automático. “O nosso sistema funciona de forma espontânea e linear, garantindo rigeneração de 98%”, sintetizou Piunti, destacando que médias de países tecnologicamente avançados se mantêm em cerca da metade desse índice.
O sucesso, explicou o presidente do Conou, decorre de uma arquitetura consorcial que combina rigor técnico e cooperação voluntária entre empresas ao longo de mais de quatro décadas. O consórcio atua como arbitro e controlador do sistema: desenha diretrizes, monitora conformidades e assegura que as operações sigam padrões que elevam a confiabilidade e a eficiência do processo — sem ser operador direto. Essa função reguladora e orientadora tem permitido que a cadeia funcione de modo autônomo, transparente e escalável.
Para quem, como eu, acredita no poder das práticas sustentáveis de produção e reciclagem, a experiência do Conou representa um farol pragmático: é a prova de que é possível semear inovação e cultivar resultados palpáveis quando técnica, política e mercado se alinham em torno de um propósito. O modelo italiano demonstra como a industrialização pode ser sustentável quando ancorada em cooperação e qualidade técnica — um verdadeiro exemplo de Made in Italy voltado ao futuro.
O fórum reuniu instituições, empresas e atores da green economy para discutir estratégias de renovação industrial e sustentabilidade. Nesse contexto, a história do Conou é também um chamado para repensar cadeias produtivas: investir em infraestrutura de reciclagem, fomentar normas claras e estimular a confiança entre atores privados e públicos. Assim, pavimenta-se um horizonte límpido onde a economia circular não é apenas uma ideia, mas um mecanismo operacional que regenera recursos e valor.
Em síntese, a experiência italiana com a coleta e rigeneração do óleo usado é um exemplo concreto de legado sustentável — uma luz prática que revela novos caminhos para políticas industriais que combinam eficiência, cooperação e respeito ao ambiente.






















