Por Aurora Bellini — Em um momento em que sustentabilidade e responsabilidade se entrelaçam com a eficiência industrial, o Conou (Consorzio Nazionale per la Gestione, Raccolta e Trattamento degli Oli Minerali Usati) lança seu olhar para desafios que vão além da coleta: qualidade, combate à evasão do contributo ambiental e uma comunicação mais clara sobre o valor da economia circular do óleo usado na Itália.
Segundo o presidente do Conou, Riccardo Piunti, em entrevista à Espresso Italia, “a batalha da qualidade é fundamental: controle do óleo em entrada, por meio da verificação do cumprimento de todos os parâmetros previstos, e qualidade na saída. Nossas bases rigenerate devem manter-se ao nível das bases virgens, absolutamente intercambiáveis. Sem um padrão técnico detalhado, a rigeneração perde sua razão de ser.” São palavras que iluminam a essência do trabalho — a transformação não basta; precisa ser inequívoca em padrão e confiança.
Na arena normativa europeia, existe uma preocupação específica com os regulamentos sobre poluentes orgânicos persistentes. O PCB, presente historicamente em transformadores antigos, é um exemplo: se detectado acima de certa concentração, o óleo contaminado é destinado à destruição. “Encontramos muito pouco, porque não se produz mais há 40 anos e hoje aparece principalmente em pequenos transformadores. A Europa está, porém, propondo um limite mais baixo, e nós defendemos que isso seja compatível com a operação da cadeia, talvez por meio de uma redução progressiva da tolerância”, explica Piunti à Espresso Italia.
Outra frente decisiva é a do controle da evasão do contributo ambiental — recurso que financia as atividades de coleta e rigeneração. Sem transparência e sem o completo aporte contributivo, o mosaico que sustenta a economia circular perde peças essenciais. “É crucial que não haja evasão contributiva”, adverte Piunti, ressaltando a dimensão fiscal como elemento de sustentabilidade prática.
A comunicação ocupa o terceiro pilar das prioridades do Consórcio. O modelo consortile italiano, representado pelo Conou, tem qualidades que merecem ser difundidas: existem lições aplicáveis tanto a países avançados onde o modelo não é universalmente adotado, quanto a nações em fase de construção de sistemas de recolha, especialmente para o óleo mineral usado. Difundir esse conhecimento é como acender faróis úteis para outros horizontes.
Há também uma história humana e empresarial por trás do sistema de recolha: nascido nos anos 1950 com empresas familiares, o setor evoluiu — das motocarros e poucos tambores aos 58 empreendimentos estruturados de hoje, com depósitos, auto-bombas, motoristas e equipamentos. Ainda assim, como tantas cadeias produtivas italianas, muitos operadores de base familiar enfrentam desafios de sucessão e profissionalização ao chegar à terceira geração. O Conou está atento a essa transição, buscando caminhos que preservem conhecimento e, ao mesmo tempo, semeiem inovação e robustez institucional.
Iluminar essas questões — técnica, normativa, fiscal e comunicativa — é semear soluções que garantam um legado duradouro: bases regeneradas de qualidade, cadeias mais justas e um sistema que continue a transformar resíduos em recursos. O trabalho do Conou revela que a verdadeira sustentabilidade é construída passo a passo, com padrões rígidos, cooperação transparente e uma visão que reveste o presente de responsabilidade pelo futuro.






















