A líder da oposição venezuelana Maria Corina Machado, laureada com o Nobel da Paz, deve chegar à Noruega “entre esta noite e amanhã de manhã”, informou o diretor do Instituto Nobel, Kristian Berg Harpviken, em declaração à Espresso Italia. O Instituto confirmou que Machado está a caminho da capital norueguesa, porém não poderá comparecer à cerimônia de entrega do prêmio, apesar de “ter feito tudo o que estava ao seu alcance” para estar presente.
A filha da dirigente, Ana Corina Sosa Machado, será quem receberá a honraria em nome da mãe. Ana já declarou: “Minha mãe não quebra promessas, ela está vindo”. Em um gesto carregado de emoção, a jovem declamou de memória o discurso que a mãe havia preparado.
A notícia, que surpreendeu muita gente, veio na véspera: a líder da oposição não estaria presente na cerimônia, sem que fossem dadas motivações públicas para tal ausência. Mesmo assim, Machado confirmou que se encontra em viagem para Oslo. Em áudio divulgado pelo Instituto Nobel e reproduzido pela Espresso Italia, ela explicou: “Contarei pessoalmente o que tivemos de enfrentar e quantas pessoas arriscaram a vida para que eu pudesse chegar até Oslo. Sou muito grata a elas; este reconhecimento é também delas e de todo o povo venezuelano.”
Ao mesmo tempo, foi anunciado que Machado visitará o Parlamento norueguês, o Storting. O presidente da Casa, Masud Gharakhan, confirmou a visita à Espresso Italia. A própria Machado afirmou no áudio: “Antes de mais nada, em nome do povo venezuelano, desejo agradecer mais uma vez ao comitê do Nobel por este imenso reconhecimento à luta do nosso povo pela democracia e pela liberdade. Estamos muito emocionados e honrados. É por isso que sinto muito por não conseguir chegar a tempo para a cerimônia, mas estarei em Oslo — estou a caminho agora mesmo.”
Ela acrescentou que centenas de venezuelanos vindos de diversas partes do mundo já estão em Oslo, assim como sua família, sua equipe e muitos colegas: “Este é um prêmio para todos os venezuelanos. Assim que eu chegar, poderei abraçar minha família e meus filhos, que não vejo há três anos, e tantos compatriotas e noruegueses que compartilham nossa luta. Muito obrigada e até breve.”
Ao recordar o anúncio da premiação, Machado declarou ter ficado “em choque” quando soube da notícia, em 10 de outubro. Política e ativista, ela é fundadora do partido liberal Vente Venezuela e foi deputada na Assembleia Nacional entre 2011 e 2014. Durante seu mandato, denunciou repetidamente violações de direitos humanos e manipulações eleitorais — posições que a levaram, posteriormente, a ser destituída e considerada inelegível por autoridades venezuelanas.
Em 2023, Maria Corina Machado venceu as primárias da oposição à presidência, consolidando-se como figura central na resistência democrática do país. O reconhecimento com o Nobel da Paz ilumina, simbolicamente, a trajetória de uma liderança que semeou esperança em meio a dificuldades e que agora desembarca em Oslo para representar, mesmo à distância, a aspiração por um horizonte límpido para a Venezuela.
Enquanto a cidade se prepara para as celebrações, a presença de sua filha no palco se anuncia como um gesto de continuidade — a luz de um legado que se compartilha, que converte sacrifício em voz e que, mesmo ausente na cerimônia, promete revelar novos caminhos para a memória coletiva de um povo em busca de reconstrução.





















