Por Aurora Bellini, Espresso Italia — O Natal de 2025 chega com a **décimo terceiro** mais substancial: cerca de 52,5 bilhões de euros estarão a caminho dos lares italianos graças à recuperação do emprego. Mas, no mosaico das escolhas das famílias, sobressai um movimento ambivalente: embora a remuneração adicional continue sendo o motor do consumo de fim de ano, muitos italianos optam por destinar parte significativa desse recurso à proteção financeira.
O levantamento Confesercenti-Ipsos sobre o uso da mensalidade extra revela que os aproximadamente 36 milhões de italianos — entre pensionistas e assalariados — que a receberão estão redesenhando hábitos. Há os que mantêm a tradição de concentrar gastos festivos na **décimo terceiro**, e há um número crescente dos que agem como guardiões do orçamento: poupadores que priorizam estabilidade diante de gastos inevitáveis.
Segundo a análise da Confesercenti, a despesa principal permanece enraizada no Natal “clássico”: 50% indicam os presentes como destino prioritário, com maior intensidade no Sul da Itália (Mezzogiorno), onde o indicador chega a 59%. Na sequência, aparecem outras despesas festivas (22%) e viagens de fim de ano (23%).
Mas cresce a parcela que adota atitudes prudentes: 31% usará a **décimo terceiro** para aumentar a **poupança**; 20% destinará a quantia a contas e pagamentos em atraso. Outros usos apontados são o pagamento de financiamentos ou hipotecas (11%), despesas com saúde (14%) e despesas domésticas (21%). Compras de bens e serviços diversas representam 18%, enquanto apenas 9% planeja investir e 27% espera usar parte do valor durante as promoções de inverno em janeiro. Há ainda um 5% de indecisos.
Para a Confesercenti, a **décimo terceiro** “mantém coesa uma Itália dupla”: aquela que impulsiona as compras de fim de ano e aquela que tenta restaurar a ordem nas finanças domésticas. É um sinal claro de prioridades em mudança, quando famílias calibram entre desfrutar o presente e semear segurança para o futuro.
No entanto, a associação adverte que o aumento do emprego por si só não basta se os rendimentos reais permanecerem comprimidos e se o trabalho — tanto assalariado quanto autônomo — continuar a empobrecer. Para reativar o consumo de forma duradoura, a recomendação é acelerar a recuperação do poder de compra, reduzindo o peso fiscal e apoiando a contratação de qualidade.
Em linguagem de quem cultiva um horizonte límpido: a evolução das escolhas em torno da **décimo terceiro** é uma janela que ilumina novos caminhos para políticas que promovam renda estável e dignidade laboral. Entre a luz do presente e a semente do amanhã, as famílias italianas mostram um pragmatismo responsável, que merece respostas estruturais — fiscal e contratual — para transformar esse lampejo natalino em crescimento duradouro.






















