Por Alessandro Vittorio Romano — Em Bormio, durante um encontro promovido pela seção lombarda da Società Italiana di Neurologia (SIN) no âmbito da Olimpíada Cultural Milano-Cortina 2026, o presidente Mario Zappia trouxe um alerta que mistura prudência científica com urgência prática: o trauma craniano, comum em competições de alto rendimento, figura entre os fatores que podem elevar o risco de desenvolvimento de doenças neurodegenerativas, entre elas o Parkinson.
Como quem observa a paisagem antes e depois de uma tempestade, Zappia desenhou um cenário no qual proteger o cérebro é também proteger a longa colheita da própria vida cognitiva. “Podemos trabalhar para aumentar as defesas desse nosso órgão tão precioso”, disse ele, ressaltando que medidas simples e bem organizadas nos locais de competição podem marcar a diferença entre um episódio agudo e uma complicação que reverbera anos depois.
Entre as estratégias concretas apontadas pelo presidente da SIN está o posicionamento de pessoal médico dedicado nas áreas de prova, capaz de avaliar rapidamente a gravidade do ferimento e encaminhar o atleta, sem perda de tempo, aos centros hospitalares apropriados. “Disponibilizar equipes que façam chegar o lesionado no menor tempo possível aos hospitais para tratamento rápido é fundamental”, afirmou Zappia. Essa agilidade, comparável à velocidade do inverno que se instala e logo exige proteção, pode reduzir riscos de sequelas tardias.
Falar de trauma craniano é também falar do tempo interno do corpo, da respiração da cidade esportiva que pulsa entre treinos e provas. Um impacto que hoje parece resolvido com primeiros socorros pode, amanhã, germinar como uma doença que corrói movimentos e memórias. A proposta de Zappia ecoa como um convite à prevenção: vigilância, prontidão e sistemas de encaminhamento eficientes.
O recado, dirigido a organizadores, equipes médicas e gestores esportivos, não perde de vista a beleza do espetáculo olímpico, mas pede que a cereja do evento — o atleta — seja tratada como solo fértil que merece cuidados contínuos. Integrar serviços médicos especializados nos locais de competição é, na visão do neurologista, uma medida capaz de reduzir a probabilidade de complicações a longo prazo, incluindo as doenças neurodegenerativas.
Como observador apaixonado pela interseção entre ambiente e bem-estar, vejo nesta conversa sobre proteção craniana uma oportunidade de cultivar hábitos que protejam o futuro motor e sensorial de quem nos oferece o espetáculo: o cérebro. Em tempos de grandes eventos, que a atenção corra como um rio: rápida, constante e direcionada, para que a colheita da saúde seja abundante.





















