Por Alessandro Vittorio Romano – Espresso Italia. Em diálogo atento com o ritmo da vida e a respiração das cidades, volto meu olhar para uma ameaça silenciosa que brota na interface entre natureza e humanidade: o vírus Nipah. É uma infecção zoonótica — nasce nas tramas da vida animal e, por contato direto ou indireto, pode atravessar para o corpo humano. Seus sinais iniciais são, muitas vezes, sutis como o outono que chega: febre, mal-estar, cefaleia, dores musculares e dor de garganta. Mas em alguns casos o quadro se complica, ganhando contornos de verdadeira tempestade neurológica.
Segundo registros epidemiológicos, o vírus Nipah foi isolado pela primeira vez em 1999, e desde então surtos esporádicos foram descritos no Sudeste Asiático — na Malásia, em Cingapura, na Índia e em Bangladesh. O período de incubação costuma variar entre 4 e 20 dias, tempo em que o vírus semeia sintomas que podem parecer comuns a muitas outras doenças respiratórias ou virais.
Sintomas e evolução clínica
Os primeiros dias podem trazer febre alta, sensação de cansaço, náuseas, vômitos, vertigens e desorientação. Em pessoas mais vulneráveis — especialmente em idades avançadas ou com comorbidades como diabetes — há maior risco de progressão. Quando o vírus invade o sistema nervoso central, pode causar encefalite, com convulsões e deterioração do estado de consciência, podendo evoluir até o coma. Também são descritos quadros de pneumonia atípica que podem progredir para síndrome do desconforto respiratório agudo (SDRA).
A taxa de letalidade é elevada, estimada entre 40% e 70% nos diferentes surtos, dependendo da gravidade clínica observada e da disponibilidade e qualidade do suporte médico. Sintomas neurológicos precoces e a presença de doenças crônicas acompanham prognósticos mais desfavoráveis.
Transmissão e prevenção
O vírus Nipah passa da natureza para o humano por vários caminhos: contato com animais infectados, ingestão de alimentos contaminados (como frutas ou sucos contaminados por secreções de morcegos frugívoros, reservatórios conhecidos) e transmissão entre pessoas em ambientes de cuidado sem proteção adequada. A defesa mais eficaz é a prevenção: vigilância ativa, proteção em ambientes de saúde, higiene alimentar e cuidado nos locais onde se lida com animais selvagens ou domésticos.
Como observador do cotidiano italiano, lembro que nossa saúde é feita de pequenos hábitos, como a colheita de rotinas que protegem o corpo coletivo. Evitar o pânico e cultivar informação precisa é tão importante quanto adotar medidas práticas: isolamento de casos suspeitos, uso de equipamentos de proteção por profissionais de saúde e campanhas públicas claras.
Conclusão
O vírus Nipah é uma lembrança forte de que a saúde humana respira em conjunto com o ambiente. Quando a doença avança para encefalite e coma, exige cuidados intensivos e rápidas respostas de saúde pública. A sensibilidade nas observações, a prontidão do sistema de saúde e os hábitos comunitários são as raízes do bem-estar que nos protegem dessas tempestades virais.






















