Por Alessandro Vittorio Romano — Em meio ao cenário catalisador das Olimpíadas Milano‑Cortina, surge um convite à cooperação que soa como um sopro de ar límpido nas encostas alpinas: é preciso fortalecer a sussidiariedade entre as diferentes estruturas hospitalares para garantir assistência qualificada aos doentes neurológicos. Foi essa a mensagem central de Simone Vidale, presidente da seção lombarda da SIN – Società Italiana di Neurologia, durante o convegno regionale organizado em Bormio.
Em sua intervenção, Vidale apontou que eventos de grande visibilidade, como as Olimpíadas Milano‑Cortina, deixam um legado além das medalhas e das rotas de esqui: criam uma janela de oportunidade para aperfeiçoar redes de atenção, alinhar fluxos de trabalho e cultivar uma verdadeira parceria entre hospitais, clínicas e centros especializados. “Num momento em que a atenção do país se volta para a região, é fundamental que haja sussidiariedade entre as estruturas, inclusive dentro da Região Lombardia“, afirmou o neurologista.
Essa proposta de Vidale pode ser entendida como a semente de um pomar comunitário onde cada árvore — hospital público, centro de reabilitação, unidade de emergência — oferece fruto conforme sua vocação. A ideia é simples e prática: distribuir responsabilidades e recursos de modo que o paciente neurológico encontre, em qualquer ponto da rede, um serviço adequado e coordenado. Para quem vive com doenças neurológicas, essa articulação significa tempo de espera reduzido, itinerários terapêuticos menos fragmentados e cuidados continuados que respeitem o tempo interno do corpo.
O convegno regional em Bormio reuniu especialistas que discutiram protocolos de encaminhamento, telemedicina, integração entre pronto‑socorro e neurologia, além de estratégias para suporte pós‑agudo. Sob a luz clara das montanhas, os participantes refletiram sobre como transformar a atenção ao paciente em uma paisagem mais conectada: da emergência ao domicílio, passando pela reabilitação.
Como observador e alguém que valoriza a respiração da cidade e os ritmos das estações, vejo nesse apelo por sussidiariedade uma afinidade com os ciclos naturais — a cooperação entre estruturas é como a drenagem de um vale que conduz água para onde ela é mais necessária, evitando enchentes e secas. Construir essa rede é também um gesto de cuidado social, que respeita a dignidade do doente neurológico e protege a comunidade mais ampla.
Ao concluir, Vidale reforçou que a mobilização não precisa esperar por eventos esportivos: a oportunidade é agora, nas práticas diárias de coordenação e partilha. Se as Olimpíadas representam um despertar da paisagem italiana ao mundo, que esse despertar inclua também a colheita de hábitos que favoreçam um sistema de saúde mais subsidiário, humano e integrado.






















