ROMA, 29 de janeiro de 2026 — Recorda-se hoje o internamento do casal chinês no Spallanzani, episódio que marcou “o início de uma batalha histórica para o nosso país”, nas palavras de Francesco Vaia, então diretor do instituto. Em uma publicação nas suas redes sociais, Vaia lembra que dois pacientes positivos a um vírus até então desconhecido foram acolhidos pela equipe que, pouco depois, isolou o SARS-CoV-2 e lançou uma comunicação pautada pela coragem, equilíbrio e esperança.
Naquele período, a rotina emocional de milhões de italianos sincronizou-se com os boletins diários: “Às 12 horas, o boletim junto à fonte do Spallanzani tornou-se um rito esperado por milhões: ‘Não tenham medo. Juntos vamos conseguir’”, recorda Vaia. A história provou essa promessa: o casal recuperou-se e a nação aprendeu, dia a dia, a enfrentar um inimigo novo com base na ciência, no cuidado e na responsabilidade individual.
Vaia também destaca a afinidade com o Papa Francisco nos anos mais duros: a defesa de que vacinas e tratamentos são bens comuns, que o acesso deve ser universal e que os mais fragilizados merecem proteção prioritária. Essa visão levou o instituto e seus representantes a denunciar as batalhas econômicas e geopolíticas em torno das vacinas, apoiando o esforço por superar patentes quando necessário, para ampliar o alcance das imunizações.
Mas a travessia não foi linear. O equilíbrio no uso da vacina por vezes foi testado, gerando um fenômeno preocupante: a desafeição e a hesitação vacinal. Vaia sublinha que esse é um obstáculo sério a ser combatido com informação clara e diálogo atento, recuperando a confiança que faz parte da nossa colheita coletiva de hábitos saudáveis.
Como observador do cotidiano e guardião de memórias coletivas, vejo nessa data mais do que um marco científico: vejo a respiração de uma comunidade que aprendeu a sincronizar seus ritmos com a proteção do outro. A lição, agora mais madura, permanece crua e necessária: ciência e solidariedade caminham como raízes para o bem-estar comum, e só com responsabilidade individual e políticas públicas comprometidas superaremos as próximas estações de desafio.
Seis anos depois, a narrativa que começou naquele corredor do Spallanzani continua a nos orientar: vencer uma crise sanitária é também cultivar confiança, cuidar das vulnerabilidades e afirmar que a saúde é um bem comum que floresce quando regado por atenção, ética e acesso equitativo.





















