Por Alessandro Vittorio Romano — Em meio à respiração da cidade e ao ritmo das nossas estações internas, surge uma notícia que aquece a esperança de quem vive com doenças respiratórias crônicas. O professor Alberto Papi, da Universidade de Ferrara e diretor da Unidade Respiratória do Departamento Cardio‑Respiratório do Hospital Sant’Anna, comentou os novos dados real‑life sobre a eficácia da vacina contra o vírus respiratório sincicial (RSV) apresentados no congresso internacional Resvinet, em Roma.
Segundo Papi, os resultados observacionais corroboram os achados clínicos e mostram mais de 70% de eficácia na prevenção dos desfechos mais graves decorrentes da infecção pelo RSV em pacientes com BPCO e asma severa. Em linguagem direta, prevenir a infecção significa evitar que o evento agudo se desencadeie — aquelas riacutizações que funcionam como tempestades súbitas na paisagem respiratória, responsáveis por agravamentos que muitas vezes terminam em hospitalização, intubação e, em casos extremos, morte.
O RSV, juntamente com outros vírus respiratórios, permanece entre as causas principais das riacutizações nas doenças obstrutivas. Papi lembra que as consequências não se limitam ao momento imediato: existe um aumento da mortalidade cardiovascular no período da riacutização e até um ano depois, além de um impacto de longo prazo — toda riacutização encurta a sobrevida desses pacientes. É como se cada episódio roubasse um pouco das raízes do bem‑estar respiratório.
Diante desse quadro, a prevenção vacinal ganha papel estrutural. As diretrizes clínicas, observa Papi, já reconhecem a vacinação como parte integrante do manejo da doença — não mais um complemento, mas um componente essencial do tratamento. O vacina anti‑RSV recebeu a evidência de maior nível, do tipo A, justamente por sua capacidade de impedir o contágio que funciona como gatilho para as crises agudas.
Em termos práticos, a mensagem é clara e serena: proteger contra o RSV é proteger a trajetória de vida respiratória do paciente. Assim como cuidamos das estações do ano para que a colheita seja mais farta, cuidar da exposição a vírus respiratórios é cuidar da colheita de dias saudáveis para quem vive com BPCO e asma severa. A vacinação, nesses termos, atua como uma cerca protetora — discreta, porém decisiva — contra as tempestades que encurtam a jornada.
Os dados apresentados em Resvinet reforçam uma abordagem integrada: manejo clínico, vigilância das infecções respiratórias e inclusão da vacina como pilar do tratamento. Para pacientes e cuidadores, a recomendação de Papi traduz‑se numa orientação prática e pautada pela evidência: prevenir o RSV é reduzir hospitalizações, intubações e mortes, e preservar a qualidade e a duração da vida respiratória.
Enquanto caminhamos pelas estações, é reconfortante saber que a ciência coloca nas nossas mãos ferramentas capazes de proteger o fôlego — a nossa ligação mais íntima com o mundo.






















