Por Alessandro Vittorio Romano — Em um país onde as estações contam histórias e as cidades respiram memórias, a prevenção contra o câncer parece ainda caminhar em passos lentos. Segundo dados apresentados no encontro Promuovere la Salute, Educare alla Prevenzione: il Ruolo Condiviso contro l’Hpv, realizado na sede do ISS, a vacina contra HPV poderia evitar quase 3 mil mortes por ano na Itália relacionadas a tumores associados ao Papiloma Vírus.
No entanto, a distância entre o potencial protetor da vacina e a realidade das escolhas familiares é grande: sete em cada dez pais acreditam que essa forma de prevenção não é útil e oito em cada dez subestimam a gravidade do HPV. Essa paisagem de percepções explica parte da razão pela qual a cobertura vacinal permanece baixa — pouco mais de metade do público-alvo, composto por meninas e meninos menores de 12 anos, está efetivamente protegido.
O presidente do ISS, Rocco Bellantone, abriu o evento chamando atenção para a meta ousada: vacinar 95% dos meninos e meninas de 11-12 anos até 2030. “Estamos infelizmente ainda longe desse objetivo”, afirmou ele, lembrando que persistem grandes diferenças regionais. É como observar um olival que floresce em um vale e murcha em outro — as desigualdades culturais e territoriais não podem limitar o acesso a um instrumento tão decisivo.
“Pediatras, médicos de família, pais, professores e ginecologistas devem promover a vacinação. A prevenção é um direito de todos”, disse Bellantone. “Ao vacinar-se, os jovens protegem a si mesmos e, reduzindo a circulação do vírus, protegem também os outros. Pedimos esse ato de responsabilidade, que é também um ato de amor.”
O projeto europeu Perch, com coordenação italiana pelo ISS, investigou as atitudes parentais. Entre os achados, emergem dúvidas sobre a eficácia e a segurança: 40% dos pais entrevistados relatam medo de efeitos adversos. Além disso, 70% indicam dificuldade em acessar os centros de vacinação e 6 em cada 10 desconhecem que a vacina é gratuita.
Os números do Ministério da Saúde confirmam a variação regional: nenhuma região atingiu 95% de cobertura. A Lombardia chega ao topo com 77%; a Sicília, à contraposição, registra apenas 23%. Raffaella Bucciardini, responsável científica do Perch, explica que a baixa adesão se liga sobretudo a uma percepção incompleta sobre o perigo do vírus e sua relação com tumores que provocam milhares de mortes. “Há temores sobre segurança e efeitos colaterais, embora a confiança na eficácia seja, em geral, boa. O trabalho é inverter essas percepções com informação correta e baseada em evidências”, afirmou.
Durante o evento foi também apresentado um vídeo que sintetiza as conclusões e responde às principais dúvidas. A estratégia é clara: aproximar o conhecimento da vida cotidiana, traduzir números em histórias e mostrar que a vacinação contra o HPV é uma colheita de cuidado para o futuro das crianças e adolescentes. Em tempos em que cuidamos do tempo interno do corpo como cuidamos de um jardim, cada dose é uma pequena poda que protege todo o pomar.
Como observador das estações e dos ritmos humanos, faço um apelo sereno e atento: comunicar melhor, facilitar o acesso e cultivar a confiança. Só assim conseguiremos transformar a relutância de hoje na proteção coletiva de amanhã.

















