Vacina contra Covid na gravidez reduz risco de preeclampsia, aponta estudo internacional
Por Alessandro Vittorio Romano — Uma investigação que floresceu como uma rede entre hospitais e pesquisadores revela que a vacina anti Covid administrada durante a gravidez não só protege contra a infecção por Sars-CoV-2, mas também reduz de forma significativa o risco de preeclampsia. O efeito protetor permanece mesmo quando considerado de forma independente ao ‘escudo’ contra o vírus, e é ainda mais evidente quando a vacinação inclui uma dose booster.
O estudo, publicado na revista EClinicalMedicine (grupo Lancet), faz parte do consórcio Intercovid, nascido no coração da pandemia para mapear os desfechos maternos e perinatais ligados ao Covid-19. Liderado pela Universidade de Oxford (Josè Villar e Aris Papageorghiou) e financiado pelo Covid-19 Research Response Fund, o trabalho envolveu mais de 6.500 gestantes recrutadas entre 2020 e 2022 em 40 hospitais de 18 países.
Para a Itália, o centro coordenador foi o Irccs Ospedale San Raffaele de Milão, com o obstetra Paolo Cavoretto como primeiro autor e responsável pela Medicina Materno-Fetal da Unidade de Ginecologia e Obstetrícia dirigida por Massimo Candiani. Participaram também importantes centros italianos como a Fundação Irccs Ca’ Granda — Ospedale Maggiore Policlinico (Clinica Mangiagalli) de Milão, o Irccs Azienda Ospedaliero-Universitaria de Bolonha, o Irccs Gaslini de Gênova, o Ospedale Luigi Sacco — Università degli Studi di Milano e o Sant’Anna Hospital — Aou Città della Salute e della Scienza de Turim.
Os resultados confirmam que a vacinação anti-Covid em gravidez diminui a probabilidade de preeclampsia não apenas prevenindo a infecção por Sars-CoV-2, mas também na população em geral. Além disso, a imunização está associada a menor risco de parto prematuro e a redução da morbilidade e mortalidade materna e perinatal.
A preeclampsia é uma complicação obstétrica que costuma surgir após a 20ª semana de gestação, marcada por hipertensão arterial associada a lesão de órgãos e muitas vezes proteinúria. É uma das principais causas de complicações durante a gravidez e pode provocar parto prematuro, danos renais e hepáticos, distúrbios neurológicos e, em casos graves, risco de vida para mãe e bebê. Globalmente, a condição afeta entre 3% e 8% das gestações, dependendo do risco gestacional e dos protocolos clínicos aplicados.
As origens da doença ainda não são completamente esclarecidas, mas a literatura aponta para alterações no desenvolvimento e na função da placenta. É aqui que a mensagem do estudo ganha uma dimensão prática: vacinar durante a gravidez pode ser vista como um gesto de cuidado que age nas raízes do bem-estar materno, uma espécie de adubo protetor para o terreno frágil do final da gestação.
Como observador atento dos ritmos da vida, gosto de pensar na vacinação como uma estação que chega para proteger a colheita — não elimina todos os riscos, mas melhora o solo onde cresce a nova vida. Para profissionais de saúde e gestantes, a recomendação é dialogar sobre a vacinação durante a gravidez, avaliando benefícios como a redução de preeclampsia e parto prematuro, sempre com acompanhamento especializado.
Este estudo acrescenta uma nota de esperança: além da proteção imediata contra o vírus, a imunização materna contribui para um desfecho obstétrico mais seguro. Em tempos em que cuidamos do corpo como cuidamos de uma paisagem, a ciência nos lembra que pequenos gestos — como a dose booster — podem transformar o horizonte de uma gestação.






















