Por Alessandro Vittorio Romano — Em meio à respiração pausada das cidades italianas e ao ritmo íntimo das estações, surge um lembrete sério para quem vive na sombra da varicela: o Herpes Zoster não é apenas uma erupção na pele, mas uma experiência que pode transformar a rotina familiar e a própria qualidade de vida.
O infectologista Vincenzo Esposito, diretor da UOC Malattie infettive e medicina di genere do hospital Cotugno Ao dei Colli, em Nápoles, destaca, na semana de sensibilização Shingles Action Week (23 de fevereiro a 1º de março), que a prevenção hoje encontra um aliado eficaz na vacina anti-Herpes Zoster. Trata-se de um imunizante ricombinante adjuvado, sem vírus ativo, capaz de proteger contra o episódio e, em 99% dos casos, de evitar a nevralgia pós-herpética e complicações graves como encefalite e meningite, que podem ser letais.
Mais ainda: estudos internacionais associam a reativação do vírus da varicela a eventos cardiovasculares. Esposito chama atenção que a ativação inflamatória ligada ao vírus facilita processos trombóticos nos vasos, o que pode desencadear um infarto do miocárdio ou um acidente vascular cerebral. Em linguagem sensorial, é como se o vírus reacendesse uma chama interna, inflamando artérias e comprometendo a circulação vital.
Na Itália, estima-se que ocorram cerca de 150 mil casos por ano, com a Campânia concentrando entre 10 e 15 mil. Isso se soma ao dado marcante de que quase toda a população — afirma Esposito — contrai a varicela nas fases iniciais da vida: o vírus permanece em equilíbrio com o sistema imune e pode reaparecer décadas depois, explorando fragilidades do corpo e da idade. Aproximadamente 1 em cada 3 adultos desenvolverá Herpes Zoster em algum momento.
O quadro clássico, conhecido também como “fuoco di Sant’Antonio”, traduz-se por uma erupção vesicular de forte intensidade dolorosa: o sintoma que predomina é o dor que queima, muitas vezes resistente aos analgésicos. O vírus tem predileção pelo tecido nervoso e pode apresentar-se de forma segmentada, afetando uma área do corpo por vez, ou, em situações mais graves, de maneira mais difusa.
O impacto mais temido permanece sendo a nevralgia pós-herpética, uma dor neuropática que pode durar meses ou mesmo anos, comprometendo autonomia, sono e bem-estar psicológico, sobretudo nos idosos, que podem necessitar de assistência domiciliária. É um inverno prolongado para quem sofre: a paisagem da vida muda quando a dor não abandona o corpo.
No Plano Nacional de Prevenção Vacinal, a indicação para a vacina anti-Zoster começa a partir dos 50 anos, além de ser fortemente recomendada para pessoas fragilizadas por câncer, quimioterapia, terapias biológicas ou outras condições que provoquem imunossupressão. Esposito sublinha que o problema é muitas vezes subestimado; a percepção pública não acompanha a gravidade real da doença.
Como observador atento do cotidiano, proponho pensar na vacinação como uma colheita de hábitos: semear proteção hoje para evitar o inverno do corpo amanhã. A vacina anti-Herpes Zoster oferece essa oportunidade — uma intervenção simples que preserva territórios íntimos de vida, como o sono, a mobilidade e a autonomia emocional das famílias.
Para quem deseja mais informações, vale consultar serviços de saúde locais e conversar com o médico de confiança sobre a vacinação, especialmente a partir dos 50 anos ou em casos de fragilidade imunitária.
Vídeo com depoimento do especialista disponível na fonte original.






















