Por Alessandro Vittorio Romano — Em uma paisagem urbana onde a respiração da cidade muitas vezes dita hábitos e ritmos, surge um alerta que toca o corpo coletivo: a fertilidade masculina entre os jovens italianos está em queda pronunciada. Pesquisas recentes mostram que, entre os 18 e os 20 anos, a contagem de espermatozoides sofreu uma redução de cerca de 25%. Em uma amostra de mil rapazes, 33,4% já são considerados ipoférteis e 11,7% encontram-se em risco de infertilidade. O fenômeno é mais evidente entre quem vive em áreas metropolitanas, onde o ritmo acelerado e a poluição parecem mexer nas raízes do bem-estar reprodutivo.
Para enfrentar esse que já é apontado como um desafio de saúde pública, a universidade UniCamillus lança o projeto Mip (Male Infertility Prevention): o primeiro screening sistemático voltado à saúde reprodutiva masculina da sua população estudantil. Coordenado pelas professoras Barbara Tavazzi, presidente do curso de Medicina e Cirurgia, e Giacomo Lazzarino, docente de Bioquímica, o projeto reúne um time multidisciplinar de pesquisadores e especialistas das áreas de reprodução e laboratorial.
A Organização Mundial da Saúde define infertilidade como a ausência de concepção após pelo menos 12 meses de relações sexuais não protegidas. Apesar do foco social frequentemente dado à infertilidade feminina, o problema envolve igualmente os homens — e, ressalta Tavazzi, muitos jovens já apresentam alterações significativas no líquido seminal, frequentemente associadas a estilos de vida prejudiciais. “Intercettar esses sinais cedo significa impedir que se tornem irreversíveis”, observa a coordenadora.
As causas mais recorrentes, segundo os especialistas, são hábitos cotidianos que agem como pequenas tempestades sobre o terreno fértil do corpo: tabagismo, consumo de álcool, dietas desequilibradas, sedentarismo, abuso de medicamentos e anabolizantes, drogas, além de estresse, poluição e doenças não diagnosticadas. “A literatura científica confirma que atuar sobre esses fatores pode melhorar sensivelmente a fertilidade masculina, recuperando-a quando o dano não é estrutural”, explica Lazzarino — uma mensagem que convida à atenção prática, como quem cuida de um jardim antes que a seca avance.
Operando ao longo do ano letivo 2025/2026, o projeto Mip oferecerá aos estudantes da UniCamillus um painel de exames detalhado: análise do líquido seminal com avaliação de volume, concentração, motilidade, morfologia e vitalidade dos espermatozoides — exames realizados pelos laboratórios Alma Res e Villa Mafalda — além de análises bioquímicas avançadas (avaliação de antioxidantes, biomarcadores de stress oxidativo, vitaminas e compostos energéticos) conduzidas nos laboratórios da própria universidade.
Quando os sinais apontarem para um quadro de ipofertilidade, serão traçados percursos personalizados de prevenção e intervenção: aconselhamento sobre estilo de vida, programas para redução de fatores de risco e acompanhamento clínico especializado. Trata-se de uma abordagem que combina ciência e cuidado — sem a frieza dos dados soltos, mas com a atenção sensível ao tempo interno do corpo e à colheita de hábitos que se pode cultivar.
Além do impacto individual, esses números têm uma implicação demográfica: especialistas apontam que a crescente prevalência de problemas reprodutivos masculinos contribui para o declínio da natalidade na Itália. Hoje, cerca de 15% dos casais italianos enfrentam dificuldades para conceber, acima da média global estimada entre 10% e 12%.
O screening da UniCamillus é, portanto, mais do que um conjunto de testes: é um gesto preventivo e proativo, uma forma de devolver aos jovens o tempo e a possibilidade de cuidar da própria fertilidade antes que o inverno da mente e do corpo se instale. Para quem vive nas cidades, onde o ar e o ritmo possuem sua própria gramática, é um convite a escutar sinais íntimos e a transformar hábitos — como se regássemos o solo em que queremos que a vida floresça.






















