ROMA – À beira do Safer Internet Day 2026, um alerta que parece sussurrar pelas ruas digitais: a presença da Inteligência Artificial na vida dos jovens cresce como a respiração de uma cidade ao amanhecer. O Telefono Azzurro volta a chamar a atenção para a saúde mental dos adolescentes e pede que adultos assumam responsabilidade maior diante desse novo cenário.
Segundo a organização, citando dados da Organização Mundial da Saúde, cerca de 1 adolescente em cada 7 (14%) entre 10 e 19 anos vivencia um desconforto psíquico — muitas vezes não reconhecido nem tratado. Além disso, 1 em cada 5 jovens declara sentir-se sozinho, com percentuais mais elevados entre as meninas. Esses números compõem o mapa de uma paisagem emocional onde as estações internas nem sempre coincidem com as externas.
Na esteira dessas preocupações, o Telefono Azzurro, em parceria com a Ipsos Doxa, divulgou uma pesquisa entre adolescentes de 12 a 18 anos que mostra que, em 2025, 35% afirmaram utilizar ferramentas de IA (como ChatGPT) entre as atividades online mais frequentes. A penetração dos chatbots transforma práticas cotidianas, da busca por informação ao pedido de conselhos, criando novos ritmos na vida digital dos jovens.
Os especialistas recordam que estudos acumulados mostram uma correlação entre o uso problemático das redes sociais e sintomas ansiosos e depressivos. O motor dessa relação é sobretudo o confronto social: a comparação, o medo de exclusão e os sentimentos de inadequação funcionam como ventos que desarranjam a frágil arquitetura do bem-estar emocional.
Em resposta, a Unicef estruturou nove conselhos práticos para pais e educadores, com o objetivo de manter um papel ativo de orientação também na chamada “era da IA”. Entre as recomendações, destaca-se a necessidade de diálogo aberto, limites afetivos e digitais firmes, e a construção de competências críticas para que o jovem navegue entre ferramentas inteligentes sem perder seu sentido humano.
Como observador atento das estações do cotidiano, lembro que o contato com a tecnologia é como uma colheita: depende do solo onde se planta. Negligenciar a educação emocional e digital equivale a deixar que ervas daninhas cresçam entre os hábitos. Em contrapartida, cultivar rotinas conscientes, momentos de conversas presenciais e supervisão gentil cria raízes que sustentam a saúde mental.
O chamado é portanto duplo: as famílias e as instituições devem reforçar uma presença educativa consistente; as plataformas e desenvolvedores precisam assumir responsabilidades éticas maiores. Só assim será possível transformar a presença dos chatbots de uma força que pode confundir em uma ferramenta que apoia o crescimento.
Em resumo: a proliferação dos assistentes virtuais entre os jovens exige uma colheita de hábitos atenta e coletiva — onde o diálogo, a empatia e a regulação são as estações que protegem o florescer do bem-estar juvenil.






















