Na cadência respiração-da-cidade digital, a presença da Inteligência Artificial nas rotinas jovens já não é uma maré distante, é um riacho que interliga conversas, buscas e aprendizagens. Segundo levantamento citado pela Unicef, hoje um adolescente em cada três recorre a chatbots de IA — uma ferramenta cheia de potencial, mas que pede orientação e presença.
Em ocasião do Safer Internet Day, a agência preparou 9 conselhos práticos direcionados aos pais para que possam guiar seus filhos rumo a um uso mais consciente e seguro dessas tecnologias. O alerta vem acompanhado de um dado inquietante: em 26 de 32 países analisados, mais de um em cada cinco alunos de 10 anos tem dificuldade em reconhecer se um site é confiável.
“Em um mundo em que a inteligência artificial se insere cada vez mais na vida cotidiana de crianças e adolescentes, é essencial acompanhá-los no desenvolvimento de habilidades digitais, senso crítico e consciência”, afirma Nicola Graziano, presidente da Unicef Itália. “Os dados mostram que muitos jovens ainda lutam para identificar fontes confiáveis online. Por isso precisamos de um esforço conjunto entre famílias, escolas, instituições e empresas para construir ambientes digitais que protejam os direitos das crianças e promovam seu bem-estar, ouvindo-os e envolvendo-os”.
Como um jardineiro que ensina o ritmo das estações às suas plantas, os pais são convidados a cultivar práticas diárias que fortaleçam o discernimento dos filhos. A seguir, os 9 conselhos práticos inspirados nas diretrizes da Unicef:
- Converse abertamente: transforme dúvidas em diálogo. Pergunte sobre o que o adolescente faz com chatbots e ouça sem julgar.
- Eduque sobre fontes: ensine a verificar origens, comparar informações e desconfiar de conteúdo sensacionalista.
- Explique limites e privacidade: mostre por que não compartilhar dados pessoais e como configurar privacidade em contas e apps.
- Estimule pensamento crítico: provoque perguntas — quem escreveu isso? qual o objetivo? — como quem afia uma ferramenta intelectual.
- Acompanhe com curadoria: sugira chatbots e plataformas seguros, e oriente sobre sinalização e denúncia de conteúdos inadequados.
- Combine regras claras: estabeleça horários e finalidades para o uso, construindo acordos familiares realistas.
- Fomente habilidades digitais: promova cursos, atividades escolares e jogos que ensinem a avaliar e criar informação digitalmente.
- Colabore com a escola: alinhe mensagens com professores e iniciativas escolares sobre segurança online.
- Esteja atento ao bem-estar: perceba sinais de estresse, isolamento ou mudanças de comportamento que possam vir do uso excessivo ou de interações negativas.
Essas recomendações não pretendem cercar ou demonizar a tecnologia, mas sim transformá-la em uma colheita de oportunidades: ferramentas que enriquecem, sem roubar a capacidade de julgamento dos jovens. Assim como um agricultor observa o ciclo para decidir a próxima semente, os pais são convidados a cultivar o tempo interno dos filhos — ajudando-os a reconhecer quando confiar, quando verificar e quando desconectar.
O apelo da Unicef é claro: proteger infâncias e adolescências na era digital exige atitudes práticas e coletivas. Entre famílias, escolas, instituições e empresas, há um terreno comum onde se pode semear confiança, segurança e autonomia. A tecnologia inteligente só será uma escolha verdadeiramente segura quando for acompanhada por adultos atentos e por jovens capazes de navegar com consciência.






















