Turim volta a se colocar no mapa da urologia internacional ao acolher um encontro que fala de tecnologia, futuro e, acima de tudo, de qualidade de vida para os pacientes. Hoje e amanhã, a Clínica Urológica do Hospital Molinette recebe o segundo “Single Port Working Group Meeting”, dedicado à cirurgia com o robô Da Vinci Single Port, uma plataforma que permite operar através de uma única pequena incisão, buscando reduzir ainda mais a invasividade em relação à cirurgia robótica tradicional de múltiplos trocarts.
Na inauguração está presente a professora Anna Maria Poggi, presidente da Fundação CRT, que financiou a tecnologia para a Clínica Urológica há cerca de um ano e meio. Sua participação simboliza a convergência entre investimento público-privado, pesquisa clínica e um desejo comum: trazer procedimentos mais gentis para o corpo humano.
A cirurgia robótica Single Port representa um passo rumo à “ultra-miniminvasividade”: o acesso cirúrgico se dá por uma via única, permitindo manobras delicadas em espaços anatômicos confinados, com potencial para preservar estruturas nobres e favorecer um retorno mais rápido às atividades diárias. É uma ideia simples como um só corte, mas que contém a ambição de reduzir cicatrizes, dor e tempo de recuperação — como a cidade que respira mais leve após uma chuva curta.
O congresso nasceu com uma ambição clara: juntar ao redor da mesma mesa alguns dos melhores urologistas italianos e cirurgiões internacionais — dos Estados Unidos à China — para discutir não apenas as características da plataforma, mas também aplicações clínicas, curva de aprendizado, protocolos de segurança, formação de equipes e métricas de resultados centradas no paciente. Em cada debate está presente a preocupação com a prática diária: como traduzir tecnologia de ponta em benefícios reais e duradouros para quem confia seu corpo ao bisturi.
Como observador interessado nas conexões entre ambiente, saúde e bem-estar, vejo esse tipo de encontro como uma colheita de hábitos técnicos e humanos. A inovação não floresce apenas no metal do robô, mas nas pequenas decisões que cercam o ato cirúrgico — preparo, comunicação com o paciente, pós-operatório atento. São as raízes do bem-estar que sustentam o avanço tecnológico.
Para os profissionais, o evento é também uma oportunidade prática: trocar experiências sobre casos complexos, avaliar evidências emergentes e explorar caminhos para padronizar técnicas que reduzam variabilidade e melhorem resultados. Para os pacientes, representa a promessa de tratamentos que respeitam mais o corpo e o tempo de recuperação, alinhando ciência e sensibilidade.
Turim, com sua elegância cotidiana, oferece o cenário certo para essa conversa entre tradição e futuro. Enquanto a cidade segue seu ritmo — entre praças, cafés e hospitais — a urologia discute como tornar o cuidado mais leve, mais humano, quase como um suspiro de alívio depois de um inverno longo.






















