Por Alessandro Vittorio Romano — Em Turim, no coração da paisagem urbana que respira entre colinas e rios, uma mulher de 69 anos voltou a encontrar fôlego após uma operação delicada realizada no fim de dezembro. A paciente apresentava um tumor ovariano de dimensões extraordinárias — cerca de 28 centímetros de diâmetro e aproximadamente 6 quilos — que, associado a uma segunda neoplasia intestinal, comprimia o cólon e provocava uma grave obstrução intestinal.
O caso foi tratado pela equipe de Cirurgia Ginecológica Minimamente Invasiva do hospital Sant’Anna de Turim, chefiada pelo dr. Paolo Petruzzelli. Apesar do calendário festivo, na manhã de 23 de dezembro a paciente entrou em sala de operação em caráter de urgência. A intervenção, complexa e coordenada, durou cerca de seis horas e mobilizou um conjunto multidisciplinar: ginecologistas oncólogos, cirurgiões digestivos, anestesistas, gastroenterologistas, anatomopatologistas, radiologistas, enfermeiros e outros profissionais de apoio.
A massa ovariana gigantesca foi removida integralmente e pesava algo comparável a uma gestação gemelar a termo. Mas a gravidade do quadro vinha sobretudo da comprometida função intestinal causada pela neoplasia associada, que exigiu decisões rápidas para proteger a integridade do sistema digestivo e evitar complicações maiores.
Situações como esta são raras, porém emblemáticas — uma espécie de tempestade súbita no tempo interno do corpo, quando órgãos e espaços anatômicos sentem o aperto de uma massa que cresce sem dar sinais de dor até que o efeito de compressão se torna intolerável. O sucesso do procedimento é fruto do sincronismo entre saber técnico e sensibilidade clínica: reconhecer o momento certo para operar, mesmo em véspera de feriado, e reunir uma equipe que atua como uma pequena floresta em que cada árvore sustenta a outra.
Após a cirurgia, a mulher foi acompanhada na fase pós-operatória com cuidados intensivos e exames para avaliar margens cirúrgicas e a extensão da doença. O acompanhamento oncológico será essencial para determinar terapias complementares, caso necessário. Profissionais envolvidos destacaram que a detecção tardia, comum em tumores de crescimento lento e silencioso, ressalta a importância de atenção aos sinais digestivos prolongados e de rotinas de acompanhamento, sobretudo em idades maduras.
Da perspectiva do bem-estar cotidiano, esta história nos lembra que nosso corpo fala em sussurros até que, às vezes, precisa levantar a voz. Cuidar das rotinas, das visitas médicas e dos pequenos sinais é cultivar um jardim de prevenção onde as raízes do bem-estar são alimentadas. Em Turim, uma equipe dedicada transformou uma emergência em uma nova estação para essa paciente — um recomeço regado por competência, coragem e solidariedade clínica.
Dados principais:
- Idade da paciente: 69 anos
- Local: Hospital Sant’Anna, Turim
- Data da cirurgia: 23 de dezembro
- Duração da cirurgia: ~6 horas
- Medida do tumor: ~28 cm de diâmetro
- Peso do tumor: ~6 kg
- Equipe: ginecologia oncológica, cirurgia, anestesia, gastroenterologia, anatomia patológica, radiologia e enfermagem































