Por Alessandro Vittorio Romano — Há um novo ritmo de esperança no campo da oncologia mamária: hoje é possível, para muitas pacientes, transformar o câncer em uma condição gerenciável, quase como domesticar uma estação imprevisível. A oncologista Valentina Guarneri, diretora da UO Oncologia 2 do Istituto Oncologico Veneto – IRCCS e professora de Oncologia Médica na Universidade de Pádua, afirmou que atualmente podemos oferecer às mulheres a possibilidade concreta de cronicizar a doença, isto é, mantê-la sob controle a longo prazo.
Falando na iniciativa Due di Noi sul divano rosa promovida por Gilead Sciences Italia em parceria com Europa Donna Italia — evento que integra o programa oficial da Olimpíada Cultural Milano-Cortina 2026 e dá voz às mulheres com tumor de mama metastático — Guarneri ressaltou que os progressos terapêuticos não são fruto do acaso. Eles brotam do reconhecimento de que o tumor de mama não é uma entidade única, e sim um conjunto de paisagens biológicas distintas que exigem abordagens personalizadas.
Essa percepção da heterogeneidade do tumor permitiu que a medicina explorasse características biológicas específicas para desenvolver medicamentos cada vez mais eficazes. Assim como um jardineiro que observa a composição do solo antes de plantar, os oncologistas escolhem tratamentos que dialoguem com o terreno biológico de cada paciente — buscando prazos de controle mais longos e qualidade de vida preservada.
Na prática clínica, o resultado tem sido a possibilidade de conviver com a doença de forma prolongada, interrompendo a narrativa do diagnóstico como sentença de tempo curto. Não se trata de uma promessa vazia: é o produto de anos de pesquisa, ensaios clínicos e de um olhar mais refinado sobre as subtipologias tumorais, que hoje orientam estratégias terapêuticas mais precisas.
Como observador do cotidiano e amante dos ciclos que regem corpo e paisagem, vejo esse avanço como um novo ritmo respiratório para as pacientes — um alívio que permite retomar planos, cuidar da mente e das relações, e reconectar-se com hábitos que nutrem. A medicina, ao reconhecer as raízes biológicas do problema, amplia a colheita de possibilidades, oferecendo tratamentos que transformam o curso natural da doença.
Guarneri enfatiza que, embora o percurso varie entre cada mulher, a combinação de diagnósticos moleculares, terapias alvo e acompanhamento atento cria um cenário onde o controle prolongado não é exceção, mas uma meta alcançável. Eventos como Due di Noi sul divano rosa são essenciais porque colocam as vozes das mulheres no centro da discussão, lembrando que a ciência precisa caminhar de mãos dadas com a experiência real de quem vive com o tumor de mama metastático.
Em suma, a transformação da oncologia mamária em direção à cronicidade controlada é um testemunho da maturidade do campo: é o fruto de estudar a terra antes de semear, de reconhecer diferenças e de cultivar tratamentos que acompanhem o ritmo individual de cada vida.






















