“Elaboramos o manifesto das necessidades: a primeira prioridade é garantir acesso rápido a medicamentos inovadores, porque são a base para transformar uma doença complexa em uma condição de cronicidade”, afirmou Rosanna D’Antona, presidente da Europa Donna Itália. As palavras foram proferidas durante a iniciativa Due di Noi sul divano rosa, promovida por Gilead Sciences Itália em parceria com a Europa Donna, e que integra o programa oficial da Milano-Cortina 2026 — um momento pensado para dar voz às mulheres com câncer de mama metastático, poucos dias antes do Dia Mundial contra o Câncer (4 de fevereiro).
Falando com a sensibilidade que nasce de observar a vida cotidiana, D’Antona lembrou que, por muitos anos, o diagnóstico carregou consigo um grande peso de medo. Hoje, porém, a promessa de novas terapias permite imaginar um horizonte diferente: o tratamento que converte um quadro agudo em um manejo contínuo e digno. Nesse cenário, o tempo — tanto o tempo do corpo quanto o da política de saúde — torna-se um recurso precioso. Por isso, o apelo é por velocidade e equidade no acesso a medicamentos inovadores.
O encontro Due di Noi sul divano rosa não foi apenas um painel de declarações; foi uma sala onde histórias foram acolhidas como quem compartilha um cobertor numa noite fria. Mulheres com câncer metastático dividiram relatos sobre tratamentos, esperanças e desafios, enquanto representantes das organizações reafirmavam a necessidade de políticas que não deixem ninguém para trás. A presença do evento no calendário cultural da Milano-Cortina 2026 reforça a ideia de que saúde e cultura caminham juntas, como a respiração da cidade que inspira cuidados coletivos.
Quando se fala em transformar o câncer em cronicidade, não se trata apenas de prolongar a vida, mas de preservar sua qualidade: permitir que a mulher continue a colher os frutos dos seus dias, entre rotinas, afetos e trabalho. Nessa colheita de hábitos, os medicamentos inovadores aparecem como ferramentas que podem reduzir a sensação de urgência e medo, instalando um tempo mais suave, onde o tratamento convive com a vida.
Ao olhar para o evento e para o manifesto, percebe-se uma urgência prática e ao mesmo tempo uma poética da ação: acelerar processos regulatórios e garantir distribuição equitativa é tão essencial quanto escutar as vozes que, no sofá rosa, contaram suas histórias. D’Antona e a Europa Donna pedem que a política de saúde acompanhe essa respiração — rápida quando necessário, constante sempre.
O resultado desejado é claro: um sistema em que o acesso rápido a soluções terapêuticas inovadoras não seja privilégio, mas prática padrão. Em dias que antecedem o Dia Mundial contra o Câncer, este manifesto ressoa como um chamado para transformar medo em ação e tecnologia em cuidado humano.
— Alessandro Vittorio Romano, Espresso Italia






















