Por Alessandro Vittorio Romano – A asma não controlada permanece como uma brisa fria e insistente em milhões de vidas: afeta até 262 milhões de pessoas no mundo, incluindo mais de 25 milhões nos Estados Unidos. Quando escapa ao controle, a inflamação e a contração da musculatura das vias aéreas levam a sibilos, falta de ar, aperto no peito e tosse — e, em casos extremos, podem ser fatais. Apesar das opções terapêuticas já disponíveis, muitos pacientes seguem convivendo com sintomas que comprometem a função pulmonar e a qualidade de vida.
Novos resultados de fase 3 apresentados nos estudos Kalos e Logos, publicados em The Lancet Respiratory Medicine e divulgados pela AstraZeneca, trazem um sopro de esperança: a tripla terapia de dose fixa composta por budesonida/glicopirrônio/formoterol fumarato (BGF 320/28,8/9,6 μg) demonstrou melhorias estatisticamente significativas e clinicamente relevantes em pacientes com asma não controlada, quando comparada à dupla terapia padrão com corticosteroide inalatório/agonista beta2 de longa duração (ICS/LABA), como budesonida/formoterol fumarato (BFF), e a outros grupos de tratamento combinados.
Em uma análise pré-especificada que agrupou os desfechos primários dos estudos Kalos e Logos, a combinação fixa BGF melhorou o volume expiratório forçado no primeiro segundo (FEV1) em 76 ml (IC 95% 57–94 ml; p<0,001; medido pela manhã antes da administração ao longo de 24 semanas) e em 90 ml (IC 95% 72–108 ml; p<0,001; medido como AUC0-3 do FEV1 nas 24 semanas) em comparação com a dupla terapia ICS/LABA. Além disso, a tripla terapia mostrou reduções clinicamente relevantes na taxa anual de exacerbações graves de asma em relação ao tratamento com ICS/LABA, tanto em pacientes que haviam tido uma exacerbação recente quanto naqueles sem histórico recente.
O BGF é administrado em um único inalador e combina um ICS/LABA com um antagonista muscarínico de longa ação (LAMA), o que permite abordar diferentes caminhos fisiopatológicos do pulmão num único gesto terapêutico. Essa integração lembra a maneira como, em uma paisagem, diferentes elementos — solo, chuva e luz — se combinam para restaurar o equilíbrio: aqui, as classes farmacológicas trabalham juntas para aliviar a inflamação, dilatar as vias aéreas e modular o tônus bronquial.
“Grande parte dos 262 milhões de pacientes que convivem com a asma no mundo ainda permanece não controlada e enfrenta sintomas frequentes como dispneia, tosse e sibilância, apesar do uso de terapia dupla de manutenção”, afirma Alberto Papi, professor de Medicina Respiratória da Universidade de Ferrara, diretor da Unidade Respiratória do Departamento Cardio-Respiratório da AOU Sant’Anna de Ferrara e investigador principal dos estudos. Os resultados, segundo ele, apontam para uma alternativa terapêutica capaz de melhorar a função pulmonar e reduzir as recaídas que fragmentam a vida cotidiana.
Como um jardineiro que reavalia a terra antes da próxima estação, médicos e pacientes agora têm dados robustos para considerar a tripla terapia fixa BGF em indivíduos que continuam sintomáticos apesar da terapia padrão. Ainda serão necessários seguimentos e discussões clínicas para definir quais perfis de pacientes mais se beneficiam dessa opção, mas a evidência atual sugere um avanço significativo na gestão da asma não controlada.
Enquanto isso, é essencial que a respiração — esse compasso íntimo do corpo — seja monitorada com atenção, com ajustes terapêuticos personalizados que devolvam ao paciente não só volumes e números, mas a serenidade de uma rotina sem interrupções pelo aperto no peito.






















