Por Alessandro Vittorio Romano — Uma nova brisa científica sopra sobre o campo do câncer renal: o transplante de microbiota fecal (FMT) pode aumentar a eficácia da imunoterapia em pacientes com tumor de rim avançado. É o que aponta um estudo conduzido pela Fondazione Gemelli e pela Università Cattolica, publicado em Nature Medicine, que reuniu especialistas, pacientes e a curiosidade do corpo humano em busca de respostas.
No estudo clínico randomizado, batizado de Tacito, pesquisadores aplicaram FMT proveniente de doadores que haviam respondido muito bem à imunoterapia em pacientes que estavam recebendo a combinação de pembrolizumabe e axitinibe. A hipótese, explicada por Gianluca Ianiro — investigador principal e coordenador do estudo — era que um microbiota intestinal apropriado poderia ‘sintonizar’ melhor o sistema imunológico do receptor, tornando os medicamentos mais capazes de reconhecer e atacar as células tumorais.
O ensaio incluiu 45 pacientes com doença avançada e comparou os desfechos entre quem recebeu FMT de doadores «responder» e os que receberam placebo. Segundo os autores, o transplante levou a um aumento da sobrevida livre de progressão e da taxa de resposta ao tratamento — desfechos fundamentais quando se navega pelo oceano turbulento que é um diagnóstico oncológico avançado.
Roberto Iacovelli, associado de Oncologia na Università Cattolica e dirigente de Oncologia Médica na Fondazione Policlinico Universitario Agostino Gemelli, ressalta a relevância prática desse achado: a modulação do ecossistema intestinal pode vir a ser uma ferramenta adicional e complementar às terapias já estabelecidas, mudando o ritmo da resposta do corpo como quem ajusta um instrumento para uma nova estação.
Como observador da conexão entre ambiente, hábitos e saúde, vejo no resultado uma metáfora orgânica — o intestino como um jardim cuja composição vegetal influencia a paisagem imunológica do organismo. O estudo não transforma o FMT em solução única, mas abre caminho para uma colheita de estratégias integradas: combinar drogas que despertam o sistema imunológico com um microbioma que o sustenta e o orienta.
É importante notar que se trata de um ensaio inicial de escala limitada. Apesar da promessa, os achados precisam ser confirmados em estudos maiores e com acompanhamento prolongado, para avaliar segurança, duração do benefício e possíveis variáveis que modulam a resposta, como dieta, antibióticos anteriores e características individuais do microbioma.
Em resumo: o trabalho da Fondazione Gemelli e da Università Cattolica traz um sopro de esperança e convida a ciência a olhar para dentro — para a paisagem íntima do intestino — como parceira na luta contra o tumor de rim avançado. Assim como a cidade respira com as estações, nosso corpo responde em ritmos que ainda estamos aprendendo a ouvir.
Fonte: Estudo publicado em Nature Medicine; pesquisa Tacito, Fondazione Gemelli e Università Cattolica. Nomes citados: Gianluca Ianiro (investigador principal) e Roberto Iacovelli (Oncologia, Università Cattolica / Fondazione Gemelli).






















