Sou Alessandro Vittorio Romano, e observo como as estações nos lembram que o corpo também tem um ritmo próprio. Hoje relato um episódio que combina ciência e cuidado: pela primeira vez no Sul da Itália, um paciente pediátrico de 13 anos, em fase pré-clínica do diabetes tipo 1, foi tratado com teplizumab no Hospital Pediátrico Giovanni XXIII de Bari, e os resultados iniciais são promissores.
O tratamento, realizado pela equipa multidisciplinar coordenada por especialistas do serviço de Diabetologia e das Doenças Metabólicas, teve seguimento clínico por quatro meses. Segundo a Drª Elvira Piccinno, entre as médicas que acompanharam o caso, os exames de controlo mostram um quadro muito encorajador: normoglicemia estável, ausência de necessidade de terapia com insulina, redução dos títulos de autoanticorpos pancreáticos e preservação da função das células beta com produção endógena de insulina. Esses sinais apontam para uma estabilização do processo autoimune e um abrandamento da progressão para o diabetes clinicamente manifesto.
O adolescente foi identificado após um rastreio no ambulatório de Diabetologia do hospital, numa consulta em que exames de rotina levantaram suspeitas e motivaram uma investigação mais aprofundada. O uso do teplizumab neste contexto — ou seja, antes da manifestação completa da doença — representa uma forma de intervenção precoce que visa proteger a reserva secretora de insulina do pâncreas, como se tentássemos preservar uma colheita ainda verde antes do primeiro geada.
É importante sublinhar que este é um resultado inicial e que o acompanhamento continuará: a medicina é, por vezes, como observar uma paisagem que desperta lentamente — pequenos sinais hoje podem significar estabilidade amanhã. O que se celebra aqui não é apenas o êxito técnico de um fármaco inovador, mas também a capacidade de detetar e agir a tempo, em equipa, como a respiração coordenada de uma cidade que cuida dos seus jovens.
O teplizumab tem vindo a ser estudado internacionalmente como uma terapia capaz de atrasar a progressão do diabetes tipo 1 quando administrado em fases iniciais. A experiência de Bari soma-se a uma colheita de dados que, esperamos, permita afinar protocolos e ampliar o acesso a intervenções que mantêm a qualidade de vida de crianças e famílias. Para além do alívio imediato de evitar a terapia contínua com insulina, há um ganho simbólico: mais tempo em que o corpo mantém seu próprio ritmo interno, produzindo insulina de modo endógeno.
Enquanto observador atento dos ciclos humanos e climáticos, vejo nesta história um convite à vigilância sensível: rastreios oportunos, diálogo entre especialidades e tratamentos inovadores podem transformar a estação de incerteza numa primavera de possibilidades. A equipa do Hospital Pediátrico Giovanni XXIII de Bari seguirá acompanhando o jovem com exames periódicos e apoio integral, porque a cura — ou a manutenção da saúde — é sempre um trabalho contínuo, enraizado na dedicação cotidiana.
Continuarei a seguir esta história e a trazer relatos que combinam ciência, cuidado e vida. Até lá, que tenhamos olhos atentos aos sinais do corpo, como quem lê as nuvens antes da chuva.






















