Por Alessandro Vittorio Romano — Em uma estação em que as prioridades da saúde florescem como uma nova colheita, chega um sopro de esperança: a parceria entre Telethon e Regione Lombardia vai financiar 27 novos projetos de investigação sobre doenças raras, mobilizando 39 grupos de pesquisa em 9 regiões italianas com um total de €7 milhões.
Este é o primeiro round da segunda edição (2025-2027) do bando “multi-round” da Fondazione Telethon, e traz na sua raiz a ambição de transformar conhecimento básico em impacto tangível para o cuidado diário dos cidadãos. A chamada, que respira o desejo de aproximar a pesquisa translacional das necessidades reais do território, já aponta para frutos promissores: de 27 projetos aprovados, 16 são dedicados à pesquisa básica e 11 à pesquisa pré-clínica.
Um elemento central deste ciclo é a colaboração com a Fondazione Regionale per la Ricerca Biomedica (FRRB), um organismo sem fins lucrativos criado em outubro de 2011 pela Regione Lombardia para estimular as ciências da vida no território. A FRRB alocou €2,2 milhões para apoiar 9 projetos lombardos — parte de um total de 17 iniciativas financiadas pelo edital na mesma região. Ou seja, 17 dos 27 projetos aprovados concentram-se na Lombardia, enquanto os demais se distribuem por outras oito regiões, compondo uma rede de pesquisa que pulsa em diferentes paisagens da Itália.
Falo como quem observa a respiração da cidade e escuta o tempo interno do corpo coletivo: esses investimentos não são apenas números. São sementes que prometem fortalecer o ecossistema sanitário local, encurtar distâncias entre bancada e leito hospitalar, e devolver ao paciente uma resposta mais próxima e humana. A FRRB, ao direcionar recursos regionais e europeus a projetos inovadores — tanto de base quanto translacionais — atua como solo fértil onde as ideias podem criar raízes e germinar em aplicações clínicas.
Os 39 grupos de investigação envolvidos trazem diferentes competências e olhares, compondo uma sinfonia de especialidades que pode acelerar descobertas e favorecer colaborações. Em linguagem menos técnica e mais sensorial, é como se diversas correntes de água se encontrassem para formar um rio com mais força, capaz de irrigar o campo do cuidado às doenças raras.
Este primeiro financiamento da segunda edição representa um passo concreto rumo a uma “colheita” de soluções que beneficiem pacientes, famílias e profissionais de saúde. A iniciativa reforça a visão de que a pesquisa deve ser um diálogo constante entre conhecimento e território, e que políticas públicas e fundações podem, juntas, cultivar inovação com impacto social.
Enquanto acompanho essas notícias, imagino o efeito calmante de um outono que organiza frutos: cada projeto é uma semente plantada para que um dia a paisagem do tratamento das doenças raras seja mais verde, mais acessível e mais humana. A jornada segue, e a expectativa é que os resultados desse investimento se traduzam, ao longo dos próximos anos, em avanços palpáveis para quem lida diariamente com a raridade e a fragilidade da saúde.





















