Por Alessandro Vittorio Romano — Em Roma, durante a apresentação do projeto Il futuro della cura, Luciano Ciocchetti, vice-presidente da Comissão de Assuntos Sociais da Câmara dos Deputados, traçou um retrato sensível de como a tecnologia e a inovação devem encontrar o ritmo do território para realmente chegar ao paciente. A iniciativa, promovida por Johnson & Johnson e Microsoft Italia em colaboração com a Fondazione mondo digitale Ets, pretende redefinir a relação entre profissionais de saúde, inteligência artificial e saúde digital.
Ciocchetti destacou que é insuficiente dispor de novidades tecnológicas se elas não estiverem entrelaçadas com a formação e a informação ao longo de toda a cadeia de cuidados. Precisamos, disse ele, de um processo de reorganização no qual os grandes centros de excelência — aqueles que atraem pacientes em nível nacional e que dispõem de equipamentos de ponta — saibam dialogar com o território. Só assim será possível oferecer um verdadeiro Pdta (Percurso Diagnóstico Terapêutico Assistencial) que acompanhe o paciente do diagnóstico ao tratamento, permitindo que todos tenham acesso às novas tecnologias, às inovações farmacêuticas, às terapias avançadas, às Car‑T e a tudo que a pesquisa disponibiliza hoje.
O deputado lembrou ainda o esforço financeiro do Governo: «estamos a investir no Serviço Sanitário Nacional 143 bilhões e 900 milhões, destinados à valorização do pessoal médico e sanitário». Essas verbas, segundo Ciocchetti, fazem parte de reformas nas profissões sanitárias e no setor farmacêutico, com atenção crescente à prevenção — uma colheita de hábitos que pode liberar recursos para aplicar em tecnologia e inovação.
Num tom que mistura pragmatismo e poesia cotidiana, Ciocchetti afirmou que a inteligência artificial pode ser uma oportunidade fundamental. A Itália, recordou, foi o primeiro país da União Europeia a transpor o regulamento comunitário sobre IA, uma lei que inclui um capítulo dedicado especificamente à saúde. Essa norma permite explorar plenamente as potencialidades da IA sem esquecer o lugar central do ser humano — o profissional, o operador, o cuidador.
«A inteligência artificial deve ser usada para reduzir erros, simplificar a burocracia e garantir que tudo o que pode favorizar o paciente seja colocado à disposição pelo médico ou pelo operador sanitário», concluiu Ciocchetti. É uma visão que encoraja a integração: a respiração da cidade e o tempo interno do corpo alinhados para que o avanço tecnológico vire cuidado real.
Enquanto observador atento das estações da vida e da saúde pública, penso que a verdadeira inovação só floresce quando suas raízes vão fundo na comunidade. A proposta em Roma é, portanto, uma semente: pedir aos centros de excelência que conversem com o território é cuidar para que a colheita — em forma de tratamentos mais eficazes, menos burocracia e acesso democrático às terapias avançadas — alcance todos.






















