Por Alessandro Vittorio Romano, Espresso Italia — Em um relatório conjunto que soa como um chamado à vigilância, o ECDC e a EFSA apontam que as superbactérias de origem alimentar continuam a representar um problema de saúde pública na Europa. A mensagem é clara e ambivalente: há sinais de progresso em alguns países, mas as sombras permanecem sobre a mesa de todo cidadão que come, respira e vive nas cidades e no campo.
Um quadro em chiaroscuro
As agências europeias sublinham que a resistência antimicrobiana (AMR) em bactérias alimentares comuns — de Salmonella e Campylobacter a Escherichia coli — ainda é disseminada. Porém, como acontece nas estações, há regiões onde a colheita de hábitos levou a melhorias: alguns países relataram redução dos níveis de AMR tanto em humanos quanto em animais destinados à produção alimentar.
Mesmo assim, o relatório alerta que esses microrganismos resistentes podem se propagar dos animais e dos alimentos para o ser humano, causando infecções graves que podem tornar terapias antibióticas menos eficazes. Por isso, um esforço contínuo sob a ótica One Health — que integra saúde humana, animal e ambiental — é essencial e precisa ser ampliado.
Antibióticos em risco
Em particular, o documento destaca que uma alta percentagem de Campylobacter e Salmonella, tanto em pessoas quanto em animais de produção, mostra resistência à ciprofloxacina, um antimicrobiano importante no tratamento de infecções humanas graves. Para Salmonella em animais de produção, a resistência permaneceu consistentemente elevada; e, alarmantemente, os casos humanos por Salmonella aumentaram nos últimos anos. Essa tendência compromete as opções terapêuticas disponíveis.
No caso de Campylobacter, a resistência à ciprofloxacina é tão difundida na Europa que esse medicamento deixou de ser recomendado para o tratamento humano, e foram impostas restrições ao seu uso em animais para tentar proteger as indicações ainda eficazes.
Além disso, o relatório mostra que, em toda a Europa, uma elevada proporção de Salmonella e Campylobacter apresenta resistência também a antimicrobianos de uso comum como ampicilina, tetraciclinas e sulfonamidas.
Sinais preocupantes: E. coli e carbapenemas
Outra preocupação que exige atenção urgente é a detecção de E. coli produtoras de carbapenemase em animais destinados à produção alimentar e em carne de vários países. Os carbapenemi são antimicrobianos de última instância para humanos e não são autorizados para uso em animais de produção. O aumento desses achados aponta para fontes que precisam ser investigadas com mais profundidade.
Entre sombras e possíveis caminhos
Como observador da respiração das cidades e das fazendas, eu vejo nesta história um convite para agir com sensibilidade e precisão. As agências europeias reconhecem avanços pontuais, mas reforçam que a luta contra a resistência antimicrobiana exige políticas integradas, práticas agrícolas responsáveis e vigilância contínua. Só assim poderemos proteger a eficácia dos antibióticos, preservando o tempo interno do corpo e o bem-estar coletivo, como se cuidássemos de um jardim que sustenta a todos.






















