Por Alessandro Vittorio Romano — A paisagem da vida coletiva italiana revela, como um outono que vai abrindo caminho, sinais visíveis do quanto a saúde mental toca a rotina das pessoas. Um levantamento recente mostra que 74,1% dos italianos declaram ter tido experiências diretas ou indiretas com problemas de saúde mental: 34,2% em primeira pessoa e 36,3% por meio de familiares ou amigos. Esses números surgem da pesquisa “Salute mentale e salute del cervello nella concezione della salute degli italiani”, realizada pelo Censis em parceria com a Lundbeck Italia, apresentada em Roma.
Os dados desenham um mapa geracional: entre os jovens de 18 a 34 anos, 53,3% relatam experiências diretas com o sofrimento psíquico, contra apenas 16,6% entre aqueles com mais de 65 anos. É como se o vento novo da juventude trouxesse à superfície inquietações que antes permaneciam enterradas — e que agora são nomeadas com mais frequência.
O pensar sobre a própria mente também ganhou espaço no cotidiano. O estudo mostra que 29,4% das pessoas pensam na própria saúde mental todo dia ou com frequência (no grupo jovem, esse índice sobe para 41,9%), enquanto 44,3% refletem sobre o tema pelo menos algumas vezes. É uma respiração coletiva mais curta e atenta, que exige cuidados e respostas.
No entanto, a avaliação sobre a capacidade do Sistema sanitario nacional (Ssn) de responder às necessidades é majoritariamente negativa. Para 56,9% dos entrevistados, a atuação do Ssn é pouco eficaz em relação aos distúrbios neurológicos; 58,2% expressam a mesma opinião quanto aos transtornos do neurodesenvolvimento, e 65,6% consideram inadequada a resposta diante de doenças psiquiátricas. Esses números apontam para uma lacuna entre a crescente visibilidade do problema e a percepção de quem busca ajuda.
O percurso para obter cuidados também se mostra áspero: 42,4% dos entrevistados disseram ter encontrado dificuldades para acessar os serviços públicos de saúde, e 59,0% precisaram recorrer a serviços privados pagos. É como encontrar pedras no caminho da colheita — a produção existe, mas falta infraestrutura para que todos a alcancem.
Outro aspecto que emerge da pesquisa é uma visão parcial da saúde adotada por um terço da população, descrita pelos autores como uma postura mais “eficientista”: enxergar o bem-estar sobretudo como capacidade de funcionar. Essa lente utilitária, embora útil em alguns contextos, pode deixar de lado a profundidade das emoções e a complexidade dos mecanismos cerebrais.
Como observador dos pequenos climas do dia a dia, vejo nesses números um convite à jardinagem coletiva: nutrir políticas públicas que cuidem do terreno emocional e estruturar caminhos de acesso que sejam inclusivos. Cuidar da saúde mental não é apenas tratar sintomas; é cultivar hábitos, redes de apoio e serviços que acompanhem a respiração da cidade e o tempo interno do corpo.
Ao apresentar esses resultados em Roma, Censis e Lundbeck Italia oferecem um mapa: há consciência crescente, especialmente entre os jovens, mas há também frustrações com um sistema que muitos consideram insuficiente. Entre as estações da vida, a esperança está em transformar a percepção em ações — políticas, comunitárias e clínicas — que deem à mente o mesmo cuidado que damos ao corpo.
Se quiser aprofundar: acompanhe as iniciativas locais de apoio, confira a disponibilidade dos serviços do Ssn na sua região e busque formas de cultivar hábitos que fortaleçam a resiliência mental — pequenas raízes que sustentam a colheita do bem-estar.





















