Por Alessandro Vittorio Romano — Em 2025 os casos de sarampo na Europa e na Ásia Central registraram uma queda expressiva de 75% em relação a 2024, passando de 127 mil para cerca de 34 mil notificações. O dado consta de um relatório conjunto do escritório europeu da OMS e da Unicef, que relaciona essa redução tanto às medidas de resposta às epidemias quanto à diminuição gradual do número de pessoas suscetíveis — resultado, em parte, da circulação do vírus em comunidades com baixa cobertura vacinal.
Apesar desse alívio numérico, os organismos internacionais alertam que as causas que levaram à recrudescência do sarampo permanecem: a cobertura insuficiente de vacinação, lacunas nos programas de imunização e populações subvacunadas continuam a manter o risco de novos focos elevado.
O impacto clínico e social da doença em 2025 segue significativo: quase 23 mil internações e 27 óbitos confirmados foram atribuídos ao sarampo no período. Paralelamente, o número de países com transmissão endêmica aumentou de 12 em 2024 para 19 em 2025, um sinal claro de que a chama da circulação viral não foi extinta, apenas contida em alguns lugares.
No mapa dos países mais afetados, o Quirguistão (Kirghizistan) liderou com 1.167 casos por mil e 8.514 infecções registradas no total. Em seguida aparecem a Romênia (222 por mil e 4.198 casos), o Tajiquistão (208 por mil e 2.246 casos) e o Cazaquistão (203 por mil e 4.240 casos). A Itália registrou 529 casos confirmados no período, segundo o relatório.
Enquanto leio esses números, gosto de pensar no tempo interno do corpo e na respiração das cidades: quando a proteção coletiva falha, o vírus encontra fôlego nas frestas de uma sociedade que deixou de cuidar de sua “colheita” vacinal. A queda global de casos é, sem dúvida, um sopro de esperança — como a neblina que se dissipa no vale pela manhã — mas as raízes do problema permanecem profundas.
O recado da OMS e da Unicef é claro e ao mesmo tempo urgente: reforçar a vacinação é a forma mais eficaz de fechar as portas a futuros surtos. Campanhas de recuperação de coberturas, programas de alcance comunitário e estratégias para alcançar populações marginalizadas são ferramentas indispensáveis para transformar a atual tendência de declínio em uma trajetória sustentável de eliminação.
Para quem vive a Itália como eu gosto de descrever — atento ao pulso das estações e à saúde do cotidiano —, isso significa retirar certidões das prateleiras das clínicas, retomar calendários de vacinação e cuidar das próprias raízes. O sarampo não é apenas uma estatística; é uma interrupção da harmonia das comunidades, uma tempestade que se forma quando o solo da proteção coletiva fica árido.
Em resumo: a diminuição de 75% nos casos é motivo para vigilância continuada, não para complacência. As medidas de resposta surtiram efeito, mas a batalha contra o sarampo exige constância — como o cultivo de um pomar que precisa ser regado temporada após temporada. Sem restaurar e ampliar a cobertura vacinal, o risco de novos surtos permanecerá alto e imprevisível.






















