San Valentino nos lembra que o amor não é apenas poesia: é também um poderoso aliado da saúde cardiovascular. Em Napoli, especialistas destacam que vínculos afetivos estáveis e relações emocionalmente significativas funcionam como uma verdadeira camada de proteção para o coração, reduzindo riscos e moldando hábitos mais saudáveis.
Segundo Nicola Maurea, diretor da estrutura complexa de Cardiologia do Istituto dei Tumori de Nápoles, quem vive uma relação de apoio emocional tende a responder melhor às terapias, a cuidar mais de si mesmo e a encarar a doença com recursos interiores maiores. Em outras palavras, o abraço cotidiano e a escuta atenta podem agir como prevenção: diminuir o cortisol, regular a pressão e melhorar a variabilidade da frequência cardíaca — um indicador refinado do bem-estar do sistema nervoso e do próprio coração.
Há uma biologia por trás do famoso “batticuore d’amore”. O estado de enamoramento desencadeia um diálogo complexo entre cérebro, sistema nervoso autônomo e sistema cardiovascular. Nas fases iniciais do amor sobressaem hormônios e neurotransmissores como adrenalina, dopamina e oxitocina, que elevam a frequência cardíaca e podem alterar a pressão arterial, ao mesmo tempo em que transformam a percepção do tempo e do corpo.
Esse entrelaçar de corpo e afeto tem consequências práticas: quem se sente emocionalmente apoiado costuma adotar comportamentos protetores — desde maior adesão a tratamentos médicos até escolhas de vida mais equilibradas, como alimentação moderada, sono reparador e atividade física regular. Em termos sensoriais, é como se o ritmo afetivo de um parceiro afinasse o “tempo interno do corpo” do outro, criando uma respiração conjunta que protege contra o desgaste.
Na vida cotidiana, celebrar o amor pode ser também um convite à saúde: pequenos gestos de cuidado, rotinas compartilhadas e atenção às emoções transformam-se em hábitos que nutrem o coração. Para além da metáfora, há uma verdade concreta — o laço social atua como um escudo que diminui a probabilidade de eventos cardiovasculares.
Como observador da paisagem italiana e das estações da vida, gosto de pensar que o dia de São Valentim é uma colheita de hábitos: é um momento para semear atitudes que durem além da data — o café partilhado pela manhã, a caminhada ao final da tarde, a escuta que acalma. São práticas simples, quase botânicas, que regam as raízes do bem-estar.
Num tom prático, vale lembrar que o amor não substitui acompanhamento médico ou estilos de vida saudáveis, mas amplia a capacidade de aderir a eles. O equilíbrio entre cuidado emocional e medidas clínicas cria a melhor paisagem possível para o coração florescer.
Neste San Valentino, permita-se perceber como o afeto cotidiano atua como prevenção: não apenas um gesto romântico, mas uma prática que protege o corpo, afina o ritmo e alimenta a saúde do coração.
Alessandro Vittorio Romano — Espresso Italia: observação sensível sobre saúde, clima e estilo de vida.






















