Por Alessandro Vittorio Romano — A busca por uma noite tranquila muitas vezes nos leva a playlists longas de sons suaves: chuva, ondas do mar, folhas ao vento. Mas uma nova investigação traz um aviso que soa como um sussurro sério para quem adotou esses hábitos. Pesquisadores da University of Pennsylvania Perelman School of Medicine, em estudo publicado na revista Sleep, mostram que o ruído rosa — esse pano sonoro que privilegia frequências mais baixas e costuma ser percebido como relaxante — pode, na verdade, piorar a qualidade do sono e reduzir a quantidade de sono REM, especialmente em crianças.
O ruído rosa ganhou espaço como recurso simples para adormecer: há listas intermináveis na internet e aplicativos que prometem embalar o sono por horas. A sua característica espectral, com mais energia nas frequências graves, dá a impressão de aconchego auditivo. Contudo, os autores lembram que faltavam evidências científicas robustas sobre benefícios reais do uso prolongado durante toda a noite.
Para preencher essa lacuna, a equipe realizou uma experiência com 25 jovens adultos que foram expostos, por uma semana, a diferentes cenários sonoros durante o sono — incluindo o ruído rosa. Os resultados sugerem uma alteração na arquitetura do sono: dormir com um pano de fundo contínuo de ruído rosa em nível moderado está associado a uma redução do tempo em sono REM e a sinais de sono menos reparador.
Embora o experimento tenha sido feito com adultos jovens, os pesquisadores chamam a atenção para a maior vulnerabilidade de crianças e bebês. O sono infantil, comparável a uma terra ainda sensível ao clima, pode sofrer mais impactos quando exposto por longos períodos a estímulos sonoros mesmo que suaves.
Como observador do cotidiano e da relação delicada entre ambiente e bem-estar, vejo esse alerta como um convite a ouvir com mais cuidado a própria respiração noturna. Não é uma condenação aos sons delicados, mas um lembrete de que a natureza do descanso exige ritmos e silêncio. Algumas recomendações práticas emergem do estudo e do senso comum da boa higiene do sono: reduzir a duração das playlists, manter volumes baixos, evitar o uso contínuo durante toda a noite para bebês e crianças, e priorizar rotinas que preparem o corpo para um desacelerar natural.
Se você usa sons como auxílio, experimente tratá-los como um cobertor que se retira ao amanhecer: úteis para iniciar o sono, menos indicados para permanecer durante todos os ciclos. Afinal, o sono REM é uma estação essencial na colheita do bem-estar mental; perder tempo nessa fase é como colher cedo demais.
Os autores do estudo pedem novas pesquisas, especialmente com populações mais jovens e em ambientes domésticos reais. Até lá, a prudência é uma companhia sábia — e, ao fechar a janela para a noite, permita que a cidade e seu próprio relógio interno respirem em silêncio de vez em quando.






















